PS "tem vivido numa ditadura do silêncio”
O ex-deputado socialista e actual membro da distrital do PS-Porto Pedro Baptista afirma que “o PS não é propriamente um rebanho que avança quando os sinos tocam a rebate só porque o líder está a passar por um momento difícil”.
Acusando Sócrates de desrespeitar os estatutos do partido ao não convocar dentro dos prazos fixados a comissão nacional do PS ("que não se reúne há nove meses"), Baptista pergunta: "Por alma de quem é que de repente querem pôr a funcionar as estruturas do partido, quando está meses sem se reunir, e ainda por cima convocando estruturas que não existem nos estatutos, como acontece, por exemplo, com o plenário de militantes da distrital do Porto?" "Isto é um paradoxo!", diz, declarando que o partido "tem vivido numa ditadura do silêncio e agora, porque o líder tem um problema, carrega-se no botão e acciona-se o rebanho".
Baptista classifica de "patéticos" os apelos do secretário-geral para reunir todos os órgãos directivos e frisa que "este não é o Partido Socialista Nacional Alemão". Por fim, pede o funcionamento regular dos órgãos do PS e lamenta que Sócrates tenha apelado ao diálogo "apenas e só por se encontrar numa situação difícil".
Este é o funcionamento “democrático” de um partido, que se acomodou submissamente a servir o chefe todo-poderoso – os seus órgãos só reúnem quando tal interessa ao chefe, designadamente quando é necessário que eles e todo o partido o defendam – e não de acordo com os estatutos e demais regras de funcionamento democrático.
Até quando vão os dirigentes e a generalidade dos militantes manter-se calados (ou a protestar em surdina) perante o uso do partido pelo chefe em vez deste o servir?
O que diriam os “democratas encartados” da nossa praça se este “paradoxo”, como lhe chama Pedro Batista, se verificasse noutros partidos, designadamente no PCP?
