PR alerta para a possibilidade de “uma situação explosiva"
Na sua habitual mensagem de Ano Novo, Cavaco Silva manifestou preocupação com a dívida do Estado e o endividamento externo do país, notando, a propósito deste último factor, que "o tempo das taxas de juro baixas não demorará muito a chegar ao fim". "Com este aumento da dívida externa e do desemprego, a que se junta o desequilíbrio das contas públicas, podemos caminhar para uma situação explosiva", alertou.
Notando que os "tempos difíceis" são "ainda de maior exigência e responsabilidade para os detentores de cargos públicos" e pedindo que se concentrem no combate ao desemprego e nos problemas "do país real", apontou como caminhos "o reforço da competitividade externa das nossas empresas e o aumento da produção de bens e serviços que concorrem com a produção estrangeira" e "o apoio social aos mais vulneráveis e desprotegidos e às vítimas da crise".
Lembrou que "o reforço da competitividade" depende da "confiança e da credibilidade das instituições, nomeadamente do sistema de justiça e da Administração Pública" e sublinhou o papel das pequenas e médias empresas na economia portuguesa, que funcionam como "estrutura do tecido produtivo" e têm um "contributo decisivo para a redução do desemprego e para o desenvolvimento".
Num ano em que se comemora o centenário da República, defendeu que Portugal deve "valorizar a prática do valor da ética republicana" e que "a ética nos negócios, nos mercados e na vida empresarial, mas também na vida pública, tem de ser um princípio de conduta para todos".
