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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

O regresso da política

Era inevitável! A crise que o país vive, agravada com a crise do sistema capitalista em geral, e a realização de três eleições em quatro meses tinham de trazer de volta o debate político.

A dormência que uma estabilidade governativa, mantida por uma maioria absoluta, gera na sociedade foi, como se previa, agitada pelas consequências das suas políticas, anunciadas como necessárias à criação de um futuro melhor para todos e que justificaram o incumprimento de promessas eleitorais, mas que, na prática, contribuíram para agravar ainda mais as condições de vida dos que mais precisam e da classe média.

O afrontamento de diversos sectores profissionais, apontados como beneficiados ou bodes expiatórios dos problemas do Estado, atingiram níveis de indignação e contestação nunca vistos, como foi o caso dos professores, que realizaram manifestações de protesto com a participação de dois terços do total da classe.

O descontentamento e a indignação de muita gente, que percebeu que foi enganada e ficou zangada, tiveram tradução prática nas eleições europeias, em que o partido do governo com maioria absoluta teve o pior resultado de há mais de vinte anos, quer em percentagem quer em valores absolutos, ficando aquém do milhão de votos.

As pessoas não gostam de ser enganadas e tratadas como indigentes mentais, principalmente quando a sua boa fé é utilizada contra elas. Foi o que aconteceu.

Esta situação deveria aconselhar a uma maior reflexão e aprendizagem dos ensinamentos do Povo. A estabilidade governativa, mantida por uma maioria absoluta no parlamento, não chega para assegurar a estabilidade no país. Para que isso aconteça é preciso mais, designadamente políticas correctas que conduzam ao seu progresso e, principalmente, a uma maior justiça social.

Os problemas do país não se resolvem, como a vida mostra, com mais do mesmo. E, não insistam em mistificar a situação, dizendo-nos que a situação grave a que o país chegou se deve apenas à crise internacional, como se tudo estivesse bem por cá antes dela e como se nada tivessem a ver com ela, como se ela não fosse uma crise do sistema capitalista, que defendem.

Sempre que o sistema capitalista entra em crise tornam-se mais evidentes as suas contradições. Apenas um exemplo. Então não foram os que mais reclamam contra o Estado, os que mais defendem que o mercado deve funcionar sem regras e sem interferências do Estado, que agora mais reclamaram a sua intervenção nos bancos e noutras empresas em crise? O governo português deu um excelente exemplo de que interesses defende, ao nacionalizar os prejuízos do BPN mas não a SLN, que inclui empresas lucrativas…  

É necessário, mesmo num sistema capitalista, que haja regulação do Estado, que não se pode desresponsabilizar, como fez no caso da banca, obrigando todos a suportar os custos da gestão danosa e das remunerações, pensões e todo o tipo de rendimentos que os administradores fixam para si próprios. E é necessário também que controle sectores decisivos da economia, porque só assim poderá assegurar o sucesso das suas políticas, como acontece noutros países.

A democracia política não basta. É necessário que ela integre também as componentes económica, social e cultural e respeite o ambiente.

Não é, pois, se admirar que, como dissemos no princípio, o debate político tenha regressado e interessado as pessoas como há muito tempo não acontecia, ao ponto dos debates entre os líderes partidários terem atingido elevados níveis de audiência, chegando a destronar telenovelas e jogos de futebol.

E é também muito provável que este renovar do interesse das pessoas pela política continue para além das eleições, se os resultados eleitorais não derem a maioria a qualquer partido e se a bipartidarização sair diminuída, com o reforço dos outros partidos.

Na data em que estou a escrever (17 de Setembro), prevejo uma diminuição significativa da votação no PS, uma subida, mais ou menos ligeira, do PSD e uma subida no BE, CDU e PP, mais acentuada no primeiro, e não ficaria surpreendido se mais algum dos restantes partidos conseguisse eleger deputado(s).

Publicado na Revista Mais Alentejo nº 95.

Mais Alentejo nº 95

Depois de um intervalo para férias e com algum atraso, saiu a edição nº 95 da revista Mais Alentejo.

Traz, como se pode ver na foto ao lado, como tema de capa "Os rostos do novo mapa autárquico alentejano".

A Revista destaca ainda:

- As vindimas, nas TRADIÇÕES;

- Prémios 2009, na GALA MAIS ALENTEJO;

- Entrevista a Torres Couto, nos PROTAGONISTAS.

Em CARTA DO DIRECTOR este volta a falar das "gigantestas e múltiplas dificuldades, de ordem comercial/financeira, em conseguir editar mensalmente a revista", recorda como "tudo poderia ser mais fácil caso as entidades, instituições e empresas apostassem mais na nossa revista, apoiando com a inserção de publicidade"  e garante que "Não desisto."

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