Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

O regresso da política

Zé LG Zé LG, 24.10.09

Era inevitável! A crise que o país vive, agravada com a crise do sistema capitalista em geral, e a realização de três eleições em quatro meses tinham de trazer de volta o debate político.

A dormência que uma estabilidade governativa, mantida por uma maioria absoluta, gera na sociedade foi, como se previa, agitada pelas consequências das suas políticas, anunciadas como necessárias à criação de um futuro melhor para todos e que justificaram o incumprimento de promessas eleitorais, mas que, na prática, contribuíram para agravar ainda mais as condições de vida dos que mais precisam e da classe média.

O afrontamento de diversos sectores profissionais, apontados como beneficiados ou bodes expiatórios dos problemas do Estado, atingiram níveis de indignação e contestação nunca vistos, como foi o caso dos professores, que realizaram manifestações de protesto com a participação de dois terços do total da classe.

O descontentamento e a indignação de muita gente, que percebeu que foi enganada e ficou zangada, tiveram tradução prática nas eleições europeias, em que o partido do governo com maioria absoluta teve o pior resultado de há mais de vinte anos, quer em percentagem quer em valores absolutos, ficando aquém do milhão de votos.

As pessoas não gostam de ser enganadas e tratadas como indigentes mentais, principalmente quando a sua boa fé é utilizada contra elas. Foi o que aconteceu.

Esta situação deveria aconselhar a uma maior reflexão e aprendizagem dos ensinamentos do Povo. A estabilidade governativa, mantida por uma maioria absoluta no parlamento, não chega para assegurar a estabilidade no país. Para que isso aconteça é preciso mais, designadamente políticas correctas que conduzam ao seu progresso e, principalmente, a uma maior justiça social.

Os problemas do país não se resolvem, como a vida mostra, com mais do mesmo. E, não insistam em mistificar a situação, dizendo-nos que a situação grave a que o país chegou se deve apenas à crise internacional, como se tudo estivesse bem por cá antes dela e como se nada tivessem a ver com ela, como se ela não fosse uma crise do sistema capitalista, que defendem.

Sempre que o sistema capitalista entra em crise tornam-se mais evidentes as suas contradições. Apenas um exemplo. Então não foram os que mais reclamam contra o Estado, os que mais defendem que o mercado deve funcionar sem regras e sem interferências do Estado, que agora mais reclamaram a sua intervenção nos bancos e noutras empresas em crise? O governo português deu um excelente exemplo de que interesses defende, ao nacionalizar os prejuízos do BPN mas não a SLN, que inclui empresas lucrativas…  

É necessário, mesmo num sistema capitalista, que haja regulação do Estado, que não se pode desresponsabilizar, como fez no caso da banca, obrigando todos a suportar os custos da gestão danosa e das remunerações, pensões e todo o tipo de rendimentos que os administradores fixam para si próprios. E é necessário também que controle sectores decisivos da economia, porque só assim poderá assegurar o sucesso das suas políticas, como acontece noutros países.

A democracia política não basta. É necessário que ela integre também as componentes económica, social e cultural e respeite o ambiente.

Não é, pois, se admirar que, como dissemos no princípio, o debate político tenha regressado e interessado as pessoas como há muito tempo não acontecia, ao ponto dos debates entre os líderes partidários terem atingido elevados níveis de audiência, chegando a destronar telenovelas e jogos de futebol.

E é também muito provável que este renovar do interesse das pessoas pela política continue para além das eleições, se os resultados eleitorais não derem a maioria a qualquer partido e se a bipartidarização sair diminuída, com o reforço dos outros partidos.

Na data em que estou a escrever (17 de Setembro), prevejo uma diminuição significativa da votação no PS, uma subida, mais ou menos ligeira, do PSD e uma subida no BE, CDU e PP, mais acentuada no primeiro, e não ficaria surpreendido se mais algum dos restantes partidos conseguisse eleger deputado(s).

Publicado na Revista Mais Alentejo nº 95.

Mais Alentejo nº 95

Zé LG Zé LG, 24.10.09

Depois de um intervalo para férias e com algum atraso, saiu a edição nº 95 da revista Mais Alentejo.

Traz, como se pode ver na foto ao lado, como tema de capa "Os rostos do novo mapa autárquico alentejano".

A Revista destaca ainda:

- As vindimas, nas TRADIÇÕES;

- Prémios 2009, na GALA MAIS ALENTEJO;

- Entrevista a Torres Couto, nos PROTAGONISTAS.

Em CARTA DO DIRECTOR este volta a falar das "gigantestas e múltiplas dificuldades, de ordem comercial/financeira, em conseguir editar mensalmente a revista", recorda como "tudo poderia ser mais fácil caso as entidades, instituições e empresas apostassem mais na nossa revista, apoiando com a inserção de publicidade"  e garante que "Não desisto."