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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Os passos perdidos da esquerda

 

Os últimos tempos têm sido férteis nas mais diversas declarações proferidas pelas mais diversas personalidades sobre a crise causada pela economia de casino.

 É interessante verificar que poucos, ainda, se atrevem a pôr em causa o sistema capitalista e que, quase todos, insistem na sua defesa, limitando-se a apontar eventuais causas para esta nova crise.

É interessante, ainda, verificar que entre os defensores do capitalismo aparecem muitos que se diziam (alguns ainda dizem, de vez em quando) de esquerda e socialistas.

Os que inventaram o socialismo democrático, como Mário Soares, e que se têm fartado de falar em democracia, nada ou muito pouco fizeram para que esta integrasse também no seu conteúdo as componentes económica e social.

Esqueceram-se do patriotismo quando, em 1975, pediram a intervenção dos Estados Unidos da América e conspiraram com a CIA contra a Revolução de Abril.

Hoje, mostram-se indignados com o neo-liberalismo, responsabilizando-o pela crise que o capitalismo está a atravessar, preocupados com o futuro deste mas conformando-se com a sua inevitabilidade.

Os que lhes sucederam, assumiram a terceira via não como a procura de um sistema alternativo e mais justo mas como a melhor defesa do sistema capitalista.

A seguir vieram os defensores da esquerda moderna, como José Sócrates, a quem queima a boca a palavra socialismo e que acha que a esquerda se esgota na defesa das chamadas questões fracturantes.

Vemos assim que desde que Mário Soares meteu o socialismo na gaveta nem ele nem muito menos os que se lhe seguiram de lá o tiraram. Nem mesmo agora. E não é por acaso que mantêm o socialismo engavetado e se esforçam por falar o menos possível dele, é porque o não querem.

Foram inventando os vários eufemismos – socialismo democrático, terceira via, esquerda moderna –, para alimentar, nos que lutam a sério pelo socialismo, a ilusão de que aqueles eram os melhores caminhos ou vias para o construir.

Os que dizem defender o socialismo a sério ou real pouco mais têm feito do que assumir-se como contra-poder, tentando fazer passar a ideia de que basta ocupar o poder para tudo resolver, como se o tempo não tivesse já mostrado que não é bem assim.

Mas nem mesmo nessa perspectiva conseguiram construir uma política de alianças que permitisse alcançar o poder. Têm sido mais eficientes em acentuar clivagens e evidenciar divisões.

Combater nos terrenos e com as armas dos adversários costuma dar vantagem a estes, aos que estão instalados…

Não será desvalorizando as liberdades individuais e ostracizando os que queiram intervir através da reflexão, do debate de ideias e da procura de respostas novas para velhos problemas que a esquerda se afirmará.

A esquerda tem de pensar mais, tem de agir com mais eficácia, tem de arriscar e não se limitar a continuar a desempenhar os papéis que, no poder ou na oposição, lhes foram sendo distribuídos.

É doloroso ouvir “socialistas” defenderem o sistema capitalista, reclamando apenas, quando muito, um maior controlo do mercado, quando ouvimos o líder dos patrões, o presidente da CIP, dizer que não se importa que o Estado tenha um papel mais interventor na economia, dirigindo mais o investimento e controlando melhor a actividade privada.

Ao que havíamos de chegar! O grande empresariado a reclamar a intervenção do Estado e “socialistas” a defenderem o sistema capitalista como fim da história, quando até o ideólogo desta inevitabilidade histórica já a rejeitou.

Enfim, não é de admirar que os capitalistas e os apologistas do capitalismo se esforcem por desculpabilizar o sistema apontando culpas a alguns exageros e falta de auto-controle, como se este alguma vez pudesse ser eficaz.

O que é inadmissível é a triste figura que fazem líderes “socialistas”, ao serem mais papistas que o papa, ou seja, ao tentar defender o indefensável.

Esta triste realidade não é apenas mais uma das curiosidades portuguesas. É a realidade que caracteriza actualmente o movimento socialista e a esquerda em quase todo o mundo, mostrando-se, como escreveu José Saramago, incapaz de pensar, de agir e de arriscar um passo.

É neste quadro que alguns “ilustres socialistas alentejanos” se continuam a mover, a defender a falida “terceira via” e outros eufemismos do capitalismo, acreditando que essa é a melhor forma de “vender gato por lebre”.

Até quando as pessoas vão deixar-se ludibriar, atendendo ao local e imediato em detrimento do global e futuro? Até quando vão aceitar como dogmas e inevitabilidades históricas o que a vida se encarrega de mostrar rapidamente como insustentável?

Até lá a esquerda vai perdendo tempo e oportunidades e a “exploração do homem pelo homem” vai-se mantendo, num mundo que, embora nalguns casos mais próspero, é cada vez mais injusto e exclusivo.

 

Lido na Rádio Terra Mãe, em 8 de Outubro de 2008

 

“Small actions can change the world”

é o título de um Curso de Formação Internacional, promovido e apoiado pelo Programa Juventude em Acção, da Comissão Europeia, cuja 1ª fase está a decorrer em Alvito, desenvolvido por uma ONG internacional, sedeada em Faro, envolvendo 33 jovens de 11 países europeus, com o principal objectivo de formar jovens para a implementação de acções locais baseadas na participação, educação inter-cultural e direitos humanos numa perspectiva europeia.

 

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