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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Incontactáveis

Há senhores, uns eleitos pelo Povo, outros nomeados pelo governo ou pelas autarquias, pagos pelo erário público para nos servirem, que nunca se conseguem contactar.

Estão sempre indisponíveis. Ligamos para o telemóvel ou para o telefone pessoal ou para os dos secretários ou enviamos e-mail ou carta e não atendem nem respondem às mensagens que deixamos.

Deve ser porque se consideram uns senhores muito importantes e não estão para gastar tempo ou aturar uns chatos, porque se fosse por uma questão de oportunidade e se lembrassem que estão nas funções que desempenham para servir as pessoas e é seu dever atender e responder a quem os contacta não procederiam dessa forma…

Transformam um dever, de atender e responder, em favor. “Esquecem-se” depressa que foram escolhidos e são pagos pelo erário público para estarem disponíveis para nos atenderem e servirem. A todo o tempo e não apenas quando a isso se dispõem.

 

Nem os deixa poisar…

“Isso (a acção da anterior direcção) significaria o fim do cartão de identificação para muitos para quem a política e o PSD são um mero livre-trânsito para embaixadas, recepções e visitas de Estado ao estrangeiro. Sempre com um cartão de um gabinete de consultadoria no bolso

. ..

Não tenho dúvidas de que éramos mais representativos, intelectualmente mais sólidos, culturalmente mais bem preparados, politicamente mais experientes, ideologicamente mais esclarecidos, mais carismáticos e melhores comunicadores.”

 

Luís Filipe Menezes, ex-presidente do PSD, in DN

 

Saiu o n.º 84 da Revista Mais Alentejo

O tema de capa deste número da mais Alentejo

é, apropriadamente à época, "AMARELEJA.

Com 47 graus à sombra na terra mais quente de Portugal".

Outros temas que também têm chamada na Capa, são:

- "Quinta do Centro. E de um sonho lusitano nasceram vinhos";

- "Tonicha. A menina de Beja está de volta

com novos projectos" - a grande entrevista;

- Também nesta edição. "Tempo de Verão, suplemento sobre a Costa Alentejana" - onde pode encontrar resposta para as férias que sonhou.

Crise existencial nos partidos

Os partidos vivem momentos difíceis, complexos e, nalguns casos, conturbados.

Embora assumindo formas diferentes e manifestando-se também de maneira diferente, as crises que todos atravessam têm em comum a mesma origem – falta de ideologia.

A morte anunciada, há alguns anos, por alguns “pensadores do pensamento único”, das ideologias e a promoção do “pragmatismo político” como única e absoluta via prática de conquistar e, principalmente, manter o poder, gerou uma autêntica crise existencial nos partidos políticos.

Em vez de se afirmarem pela ideologia e pela política que defendem, naturalmente diferenciadoras, optaram, mais ou menos de forma assumida, pela gestão de interesses, não tanto dos que dizem defender mas mais dos que, efectivamente, representam e, principalmente, dos seus.

Foi, nessa lógica, que se começou a ouvir falar, com mais ou menos frequência conforme as circunstâncias e oportunidades, de que já não fazia sentido falar em esquerda e direita.

Naturalmente que para isto muito tem contribuído o centrão e a sua lógica de interesses, que assenta em maiorias parlamentares que permitam fazer as chamadas reformas, sempre à custa dos mais desfavorecidos e, muitas vezes também, da classe média, sem nunca pôr em causa os interesses instalados dos mais poderosos e seus serventuários.

Para isto também em muito contribui uma equilibrada distribuição e rotatividade dos cargos de maior influência e melhor remunerados do regime pelos “barões” e outros “aristocratas” dos partidos, que assim asseguram a conveniente “estabilidade política”, através do seu “pragmatismo”.

É esta a realidade a que temos vindo a assistir, num crescendo que a tornou demasiado exposta, até porque há sempre quem esteja à espreita da sua oportunidade de alcançar aquele estatuto…

Foi esta situação que levou a que os últimos congressos do PS, do CDS e, principalmente, do PSD, tivessem sido momentos de denúncia e de afirmação dessa realidade.

A crise existencial nos partidos políticos é por demais evidente e tem sido mais evidenciada nos seus últimos actos eleitorais e congressos partidários, para além, naturalmente, da disputa parlamentar e política do dia-a-dia.

Tornou-se frequente a discussão sobre se o PS é representativo do socialismo democrático, da social-democracia, ou liberal; se o PSD é social-democrata, popular ou liberal; se o CDS é democrata-cistão, popular ou ultra-liberal; se o PCP é marxista-leninista, marxista ou se deve rever o seu ideário; se o BE tem ideologia definida ou se limita a defender causas, mais ou menos, avulso e conforme o momento; se o PEV é, de facto, um partido defensor do ambiente ou se limita a ser uma bengala do PCP.

E, também, apesar de dizerem que não faz sentido falar em direita e esquerda, os partidos insistem em tentar definir-se como de esquerda, centro-esquerda, centro-direita ou direita.

Curiosamente e apesar de se baterem ao centro e pelo centrão, nenhum se afirma como sendo do centro…

Curiosa é também, neste contexto, a luta travada na Assembleia da República, após as eleições, pela decisão dos lugares onde se devem sentar os deputados de cada partido…

É esta crise existencial dos partidos e a opção pela gestão de interesses, mais ou menos imediatos, mais ou menos legítimos e, muitas vezes, com menos do que mais interesse para o país e para os portugueses, que muito tem contribuído para o desinteresse das pessoas pela política e, principalmente, pelos partidos.

É tempo, pois, de regressar às ideologias, de identificar o que verdadeiramente distingue os partidos e de clarificar o que as pessoas podem esperar de cada um deles, para além das cores – laranja, cor-de-rosa, azul ou amarelo –, mais acentuadas ou desmaiadas, que apresentam nos períodos eleitorais e nas cores escuras que apresentam depois e sempre na oposição.

É tempo, por isso, dos políticos perceberem o tempo que vivemos, a realidade que somos e as expectativas e ambições que alimentamos e, daí, tirarem as necessárias e adequadas consequências.

23.06.2008

 

Publicado na edição n.º 84 da Revista Mais Alentejo.

 

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