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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

A serôdia manifestação democrática de Cavaco Silva

 

Com uma estranha frequência aparecem responsáveis políticos a lamentar o afastamento dos jovens da política, o seu manifesto desconhecimento da História recente de Portugal, designadamente da Revolução do 25 de Abril, dos seus actores e das suas motivações, das suas causas e consequências, e, ainda, a desvalorização que fazem da liberdade e da democracia.

 

Apesar de se tratar de preocupações justas, pertinentes e oportunas, não deixam de estranhar quando são manifestadas por algumas personagens, como aconteceu, agora, com Cavaco Silva, na sua condição de Presidente da República, no discurso que proferiu, na Assembleia da República, para assinalar o 34º aniversário da Revolução dos Cravos.

Esta situação, em concreto, desafia-nos a reflectir sobre a situação para apurarmos até que ponto é, de facto, preocupante, a quem se deve e o que fez para a evitar quem agora se manifesta preocupado com ela.

Será que os jovens de há quarenta ou cinquenta anos, como Cavaco e Silva, estavam mais próximos da política, conheciam melhor a História recente de Portugal e valorizavam mais a democracia e a liberdade do que os de hoje?

O que têm feito os responsáveis políticos, na sua maioria, para evitar que os jovens não se interessem e envolvam mais na política e não valorizem mais os valores democráticos?

O que fez, em concreto, Cavaco Silva durante os dez anos em que exerceu as funções de primeiro-ministro? Em que medida a acção dos seus governos contribuiu para a valorização do 25 de Abril e dos seus objectivos? O que aconteceu à maioria dos “capitães de Abril” nesse tempo? Em que medida melhorou a democracia e alargou as liberdades?

Não foi nesse tempo que Vicente Jorge Silva chamou de “geração rasca” à juventude que se manifestou, pelas formas que entendeu, contra o aumento das propinas?!

Ou seja, ao contrário do que pretendem fazer crer, há responsáveis pela situação a que se chegou. Neste como noutros aspectos da nossa vida colectiva.

Não podem, enquanto têm poder efectivo, maltratar a democracia e reduzir as liberdades, nada fazerem nada para promover a participação democrática, das pessoas em geral e dos jovens em particular, e depois, quando perdem esse poder e passam a exercer “a magistratura da influência”, virem mostrar-se chocados com a situação a que se chegou, em grande parte pela sua acção e que, por isso, é da sua responsabilidade.

É evidente que é sempre bom que o supremo magistrado da Nação manifeste publicamente as suas preocupações com o estado da Nação, principalmente, como foi o caso, quando essas preocupações se relacionam com os jovens e com a cultura democrática.

Mas a manifestação serôdia de preocupações desta jaez por parte de quem tem desempenhado os mais altos cargos do Estado, durante mais de um terço do regime democrático restaurado com o 25 de Abril, sem assumir quaisquer responsabilidades pela situação, não pode deixar de ser vista como o tão frequente “sacudir a água do capote” e uma tremenda hipocrisia. 

Como alguns têm sublinhado, não há “gerações rascas”. Há é quem já não tenha capacidade para entender os jovens, quem entenda a sua juventude como padrão e modelo para as outras.

E, pior do que isso, há quem, pelo exercício dos mais altos cargos do Estado, muito tenha feito para promover o individualismo, o egoísmo, o “salve-se quem puder”, o “vale tudo” e o “ter” como valores supremos da realização dos jovens e, agora, “lavando as mãos como Pilatos”, lamente que não se revejam e pratiquem outros valores.

Nunca é tarde para entrar no bom caminho e ganhar capacidade de inginação e manifestar justas preocupações pelo que de mal ou menos bom existe na sociedade.

Mas, quando se trata de quem tem tido as maiores responsabilidades na construção desta sociedade, a manifestação de tais preocupações devia ser acompanhada de manifestação de arrependimento ou de auto-crítica, conforme a formação de cada um, pelo que fez ou não conseguiu fazer para a melhorar, para que fosse levado mais a sério.

06.05.2008

Publicado no nº 83 da revista Mais Alentejo.

 

Nº 83 da Revista Mais Alentejo já saiu

Já saiu a edição nº 83 da revista Mais Alentejo.

O tema de capa deste número é "Vida de Prostituta".

Outros temas com chamada na capa são:

- "Herdade da Comporta - Vinhos produzidos nas terras do Sado têm personalidade alentejana";

-"Compadre Critóvão - Tudo indica que o descobridor de Cuba das Américas nasceu em Cuba do Alentejo";

- "D. Duarte de Bragança - Seria um bom rei, a afirmação pertence aso herdeiro da coroa portuguesa".

 

Destaque ainda para a peça sobre Alvito em o presidente da Câmara Municipal, João Paulo Trindade, afirma que "Não é fácil ser independente", se considera "com os pés bem assentes no chão" e garante que "é preciso dinâmica regional".

E se realizassem referendos noutros países, pá?

Os irlandeses, os únicos que puderam votar, em referendo, o Tratado de Lisboa, optaram maioritariamente pela abstenção e os que votaram disseram maioritariamente não a esta peça do processo de construção europeia.

Este era o país que, até há pouco tempo, era apontado como o melhor exemplo do aproveitamento dos fundos comunitários.

O que aconteceria se outros países, designadamente Portugal, realizassem também referendos?

Será que Sócrates teria oportunidade de repetir a sua famosa exclamação “porreiro, pá!”?

 

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