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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

É só fumaça!

O primeiro-ministro, acompanhado do ministro da Economia e de uma grande comitiva, integrando cerca de oitenta empresários, deslocou-se à Venezuela, onde vive uma das maiores comunidades portuguesas, em visita oficial em que assinou, com o Presidente da República daquele país, vários acordos comerciais.

Quando se esperava que a comunicação social nos falasse da comitiva, daquela comunidade portuguesa, dos acordos assinados ou daquele país anfitrião, falou-nos de dois cigarros, fumados por quem não devia, não só por uma questão de saúde mas também porque a lei o não permitia.

Efectivamente, os cigarros que o primeiro-ministro e o ministro da Economia fumaram no avião, fretado para transportar a comitiva, no voo para a Venezuela, ganharam uma importância que subalternizou tudo o resto.

Os critérios que estiveram na base da sua composição da comitiva, os contributos que a comunidade portuguesa tem dado para o desenvolvimento dos dois países, o interesse dos acordos assinados para Portugal e a evolução que a Venezuela tem registado nos últimos anos perderam quase toda a importância face àquela cigarrada.

Agora, depois desta visita e de uma cigarrada do primeiro-ministro com o ministro da Economia, toda a gente sabe que não se pode fumar em aviões, mesmo no caso de voos fretados e de governantes.

Também todos ficámos a saber que José Sócrates é viciado no tabaco, que já tinha deixado de fumar quando passou a fazer “jogging” mas que teve uma recaída, mas que agora, palavra de primeiro-ministro, vai deixar de fumar.

Para além desta nova promessa, José Sócrates fez o seu acto de contrição ou autocrítica pública, mostrando quanto a proximidade de vários actos eleitorais o está a tornar humilde, pedindo desculpa por se ter deixado apanhar “com a boca na botija” ou, melhor dizendo, com o cigarro na boca.

Mas como a aprendizagem da humildade é um processo complexo, o primeiro-ministro, imediatamente a seguir a ter pedido desculpa por ter sido apanhado a fumar onde não podia, tratou logo, como é seu hábito, de apresentar uma desculpa para a falta cometida.

Desta vez, não atirou a culpa para os governos anteriores nem para as oposições, apesar de, algum tempo passado e de se ter recomposto daquele “passo em falso”, não ter resistido, como é seu hábito também, a acusar as oposições de estarem a tentar aproveitar-se daquela sua fraqueza humana.

Nem sequer responsabilizou a crise internacional, o aumento do preço do petróleo, a União Europeia ou o mau tempo que se tem feito sentir.

Não, nada disso. Desta fez a explicação para a infracção cometida foi, pasme-se, o desconhecimento da lei, se esta se aplicava ou não naquelas condições, etc. e tal.

E este é, a meu ver, o aspecto mais grave, e menos tratado, de todo este processo da fumaça do primeiro-ministro.

Então o primeiro-ministro que determina uma política anti-tabagista, que manda fazer uma lei para enquadrar essa política e que é o primeiro responsável pela sua concretização não conhece a lei?!

Não é só o princípio de que “o desconhecimento da lei não serve a ninguém” que foi posto em causa pelo primeiro-ministro. É também, e principalmente, a sua declaração pública de que as políticas que determina e as leis que as concretizam são só para os outros cumprirem, porque ele nem sequer as conhece.

Não sei porquê, este processo fez-me lembrar aquela anedota em que o homem ao apanhar a esposa a fumar na cama com o amante desabafou: “Com que então agora também fumas?! – modernices!”.

Lido na Rádio Terra Mãe, em 21.05.2008.

 

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