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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Mais 100.000 na rua

100.000 professores de todo o país encheram a Avenida da Liberdade, por onde desfilaram, e o Terreiro do Paço, onde se concentraram para ouvir as mensagens de solidariedade e os discursos dos dirigentes sindicais.

2 em cada 3 professores participaram nesta, que foi, a maior manifestação de sempre da classe.

O governo do PS/Sócrates e o ministério da Educação/Maria de Lurdes Rodrigues conseguiram, com a sua prepotência e o seu autismo, provocar a maior indignação e participação numa manifestação de uma classe profissional de que há memória.

Bem podem a ministra Maria de Lurdes Rodrigues e o porta-voz do PS, Vitalino Canas, afirmarem que a política do governo para a Educação vão continuar na nesma que nada vai continuar na mesma - nem a política educativa nem o governo.

Hoje, com esta manifestação, ficou demonstrado como não só os professores como o país já perderam a confiança na ministra e no governo. Sabe-se o que acontece a seguir quando isto acontece...

Como no tempo do fascismo

o dirigente do PS e ministro dos Assuntos Parlamentares Santos Silva acusou o PCP de estar por detrás de uma manifestação de 200 professores, que o recebeu à entrada para uma reunião do PS, em Chaves, protestando contra o governo.

Tal como no tempo do fascismo, há governantes, que perante uma qualquer manifestação popular, logo acusam o PCP de instrumentalizar as pessoas para intimar outras e condicionar a liberdade.

Tal como no tempo do fascismo, não percebem que essa é uma atitude pouco inteligente, para além de reveladora do seu anti-comunismo primário, porque, dessa forma, estão a atribuir ao PCP uma força e uma capacidade mobilizadora que nem sempre tem e a chamar "carneiros" aos manifestantes, o que não é propriamente simpático...

Mas atitudes como estas mostram que o governo está a perder o pé, a perder o auto-controlo e o controlo da situação e que já não sabe lidar com as situações mais inesperadas.

E esta não foi uma situação isolada. Basta lembrar a ida de agentes das forças de segurança às escolas para saber quantos e, nalguns casos, que professores vão hoje participar na maior manifestação de sempre contra a política educativa do governo...

Alvito sem médico

A Câmara Municipal de Alvito enviou um ofício à ARS do Alentejo a alertar para a “necessidade absoluta” de serem encontradas alternativas à ausência da única médica colocada no Centro de Saúde, que iniciou a sua baixa pelo período de um mês.

Também no Alentejo

Também no Alentejo professores, educadores e, nalguns casos também funcionários, alunos e encarregados de educação têm, nos últimos tempos, mostrado o seu descontentamento face à política educativa do governo de José Sócrates.

Desde as simples conversas até às concentrações, manifestações e vigílias convocadas espontaneamente ou pelos sindicatos, tudo tem servido para mostrarem não só o seu descontentamento perante a política educativa do governo e as medidas para a pôr em prática do Ministério da Educação como a sua indignação pela forma como estão a ser tratados.

Efectivamente, este governo e esta ministra da Educação têm tratado os professores “abaixo de cão”, como se costuma dizer, tentando passar para a opinião pública que são uns privilegiados, que pouco fazem e que, por isso, não querem ser avaliados nem dar aulas de substituição e desempenhar outras tarefas na escola. 

Tudo isto depois de os ter tentado dividir classificando-os em duas categorias.

É a prática deste governo de tudo tenta fazer para dividir e pôr uns contra outros – classes profissionais contra classes profissionais, categorias contra categorias, profissionais contra profissionais -, que já se tornou tristemente célebre.

E sempre atribuindo as responsabilidades aos outros – à União Europeia, à crise internacional, aos que o antecederam, aos que os denunciam e combatem, principalmente os partidos à sua esquerda e os sindicatos, de que foge com “o diabo da cruz”.

É o que mais uma vez tem tentado, ao atribuir a responsabilidade das manifestações de descontentamento da comunidade escolar ao PCP, ao Bloco de Esquerda e aos sindicatos.

O governo, o primeiro-ministro e a ministra da Educação parece terem avaliado mal a indignação que, com a sua política, as suas medidas e a sua prática, têm causado não só nos docentes mas também em toda a comunidade escolar e, até, no país em geral.

É evidente que, cada vez mais, pessoas que votaram no PS se sentem defraudadas não só pelas políticas e pelo estilo do governo mas também, e talvez aqui esteja uma boa explicação para a dimensão do movimento de descontentamento, por serem empurrados para os partidos da oposição, designadamente os de esquerda, ao serem classificados como adversários e perigosos agitadores.

Este, tal como aconteceu na Saúde, não é apenas um movimento dos partidos de esquerda e dos sindicatos, como é normal que seja, mas é também um movimento de forte cidadania em que muitos que nunca tinham sentido antes necessidade de manifestarem publicamente a sua indignação face ao governo, vieram agora para a rua dizer basta!, porque se sentiram ofendidos não apenas nos seus direitos mas também no seu brio profissional.

São cidadãos que dedicaram toda a sua vida ao ensino público, autênticos missionários, que agora foram maltratados e ofendidos por este governo. Muitos deles, como têm feito questão de sublinhar, são, para além de professores, pais também, que não querem ver os seus filhos tratados como cobaias de medidas impostas por quem não entende a necessidade de envolver os profissionais nas reformas que pretende fazer.

Tal como afirmou Mário Nogueira, secretário-geral da FENPROF, deve o primeiro-ministro “ter a humildade democrática, e não a arrogância que tem demonstrado ao longo da legislatura, para ouvir os sindicatos”, "perceber que a contestação às políticas da Educação não é uma invenção dos sindicatos mas vem genuinamente dos professores”.

Não perceber isso e não aceitar o repto para o diálogo com os sindicatos pode não afastar o PS do governo mas não prova que mereça continuar nele. Ou seja, temos um governo que só governa porque ainda não surgiram alternativas credíveis.

É caso para dizer que temos o que merecemos… Mas também que podemos ter melhor. Nós podemos!

Lido na Rádio Terra Mãe, em 06.03.2008.

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