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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Dificuldade em entender ou conto de fadas?

A Câmara Municipal de Beja entregou as Chaves da Cidade aos príncipes das Astúrias, Filipe Bourbón e Letiza Ortiz, na passada Segunda-Feira, na presença do Presidente da República, Cavaco Silva e sua Esposa.

Foi a terceira vez que o Município de Beja atribuiu as Chaves da Cidade – a primeira, foi em 1843, à Rainha D. Maria II, e a segunda, foi em 1987, ao Presidente da República, Mário Soares.

Se compreendo as duas primeiras atribuições, já não consigo compreender esta terceira.

A entrega da Chaves da Cidade a uma Rainha e a um Presidente da República de Portugal, supremos magistrados da Nação, parece-me óbvia. Se alguma dúvida existe é porque não foi entregue também a Jorge Sampaio, numa das suas visitas a Beja. A mesma dúvida se poderia colocar relativamente a Cavaco Silva, mas, neste caso, sempre se pode dizer que ainda está no princípio do mandato…

Mas por que razões o Município de Beja entregou, agora, as Chaves da Cidade aos príncipes espanhóis? A que propósito? Que feitos relevantes para a Cidade de Beja praticaram eles, para além de a terem visitado, pela primeira vez, para apreciarem o Museu Episcopal, e entregarem o prémio internacional “Puente de Alcântara”, pelo aproveitamento hidroeléctrico do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva, naquela Barragem?

Sinceramente, não entendo!

Não se trata de uma questão político-partidária, uma vez que as deliberações para a atribuição das Chaves da Cidade devem ser, e foram certamente, tomadas por unanimidade ou consenso dos órgãos do Município.

E ainda por cima, pelas notícias e reacções públicas, esta atribuição foi, geralmente, bem acolhida.

Será que sou o único que não compreendo esta atribuição das Chaves da Cidade de Beja aos príncipes espanhóis? Se for assim, tal deve-se a falta de informação que justifique aquelas deliberações, a incapacidade minha para adivinhar e compreender as razões que a justificam ou, porque simplesmente não há razões que expliquem tal acto?

Ainda fiz um exercício especulativo para tentar encontrar as razões que justificaram aquelas deliberações dos órgãos do Município de Beja, mas logo fui concluindo que não eram razões plausíveis:

- São os representantes da Casa Real de um país estrangeiro que visitaram Beja. Mas não são os Reis e estou convencido que não terão sido os primeiros a visitarem a Cidade.

- Alguns dos seus súbditos já adquiriram uma boa parte do território do concelho de Beja. Mas então agora premeia-se o que há uns tempos históricos se combatia pelas armas?

- São membros de uma casa real. Mas não vivemos numa República, que, há poucos dias, comemorou o seu 97º aniversário?

Não, com efeito nenhuma daquelas razões podia justificar a atribuição das Chaves da Cidade de Beja ao simpático casal de Príncipes.

Última tentativa: Será que estive a dormir e a sonhei com um conto de fadas? E o que faziam o Aníbal e a Maria Cavaco Silva no conto?

Rendo-me, não entendo mesmo.

Lido na rádio Terra Mãe, em 18.10.2007.

Foto retirada do Correio do Alentejo

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