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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Repensar a democracia

Os resultados das eleições intercalares para a Câmara Municipal de Lisboa devem-nos fazer reflectir sobre o estado da nossa democracia.

Nos últimos tempos temos assistido a um afastamento gradual das pessoas da política em geral e das eleições em particular.

Nestas eleições apenas um em cada três lisboetas votaram. Isto é, a esmagadora maioria dos eleitores acharam que o seu voto não era suficientemente importante para alterarem a sua rotina de vida ou o que já tinham programado fazer nesse dia.

E isto apesar de se tratar de eleições intercalares, provocadas pelo derrube do Executivo, que tantos desmandos estava a fazer à Câmara e à Cidade de Lisboa, de se apresentarem doze candidaturas (dez de partidos e duas de cidadãos eleitores) e, ainda, de elas poderem constituir uma avaliação do governo, uma vez que se tratava da capital do país.

Nada disso foi, no entanto, suficientemente motivador e mobilizador dos eleitores.

Longe vão os tempos em que as pessoas madrugavam e passavam horas em filas para poderem exercer o direito/dever cívico de votar, em que um acto eleitoral era uma autêntica festa.

Porque se fartaram as pessoas da festa do voto? Porque passaram a desvalorizar esse direito/dever cívico? Porque passaram a não acreditar nas eleições e que o seu voto conte para alguma coisa?

Estas são algumas, talvez as mais importantes, perguntas que precisam de respostas urgentes e claras.

Todos, principalmente os que temos tido responsabilidades políticas, quer nos partidos quer nas instituições, devemos fazer da procura de respostas a essas perguntas uma prioridade.

Enquanto os responsáveis partidários continuarem a assobiar para o lado e a atribuir aos outros todas as responsabilidades de tudo o que está mal, não encontrarão as respostas necessárias e continuarão não só a verem a abstenção a aumentar como também a influência dos partidos diminuir e a crescer a vontade dos cidadãos em se organizarem autonomamente.

Foi também isso que estas eleições mostraram – duas listas de cidadãos eleitores alcançaram 27% dos votos, quase o mesmo número que o vencedor e muito mais do que qualquer um dos outros partidos.

As declarações de vitória, de justificação dos resultados obtidos e mesmo das maiores derrotas de sempre de alguns só revelam o autismo e a falta de consideração pela inteligência dos portugueses por parte de quem as proferiu e dos responsáveis partidários.

Exaltar uma vitória e exultar com uma eleição com o menor número de votos de sempre, como fizeram o PS e António Costa seria para rir se não fosse tão dramático para a democracia portuguesa.

Como é que explicam tamanhos disparates, quando as eleições se realizaram devido à queda do Executivo do PSD por má gestão, quando agora o PS apresentou como cabeça de lista o número dois do partido e do governo, que tinha por meta a maioria absoluta e apenas conseguiu mais três pontos do que nas eleições de há menos de dois anos, quando o candidato do PS foi Carrilho, quase crucificado por ter tido uma tão má votação?

Como é possível que os responsáveis pela má gestão da Câmara (PSD e Carmona Rodrigues), que levou à sua queda e a estas eleições intercalares, tenham alcançado, em conjunto, uma votação (32,4%) superior à do vencedor?

Só a falta de demonstração do mal que fez a gestão PSD/Carmona Rodrigues à Câmara e à Cidade de Lisboa e de alternativas credíveis podem justificar tais resultados.

Mesmo um partido (o PCP) reconhecido pela militância dos seus eleitores conseguiu manter a votação da coligação (a CDU) que integra, quer em número de votos quer em percentagem. É caso para dizer que a disciplina e a militância dos revolucionários já conheceu melhores dias…

Também um partido jovem (o Bloco de Esquerda), que se apresenta como um partido diferente dos outros, não foi capaz de suster a descida.

O que poderá voltar a justificar o voto do número crescente de abstencionistas?

Não tendo resposta para esta pergunta, atrevo-me, no entanto, a avançar com algumas ideias:

- A democracia pluri-partidária deverá integrar diferentes opções ideológicas e políticas e não apenas interesses, mais ou menos legítimos, imediatos de grupo;

- Os partidos deverão repensar o seu papel e o seu funcionamento, de forma a tornarem mais interessante a intervenção dos seus militantes e mais atractivas e credíveis as suas propostas;

- Os partidos e as instituições deverão fomentar a participação das pessoas, para além dos actos eleitorais, contando, de facto, com a sua opinião para a tomada de decisões mais importantes para o seu futuro colectivo;

- As diversas candidaturas às diversas eleições deverão realçar mais o que as distingue do que as assemelha e, uma vez eleitas, deverão elevar o grau de cumprimento das suas propostas;

- Todas as decisões que as maiorias pretendam tomar ao contrário do que defenderam nas eleições deverão ser confirmadas através de referendo e, quando tal não se verificar, deverão os respectivos órgãos ser dissolvidos e realizadas novas eleições;   

- Os candidatos e os responsáveis dos partidos que os apoiam deverão mostrar um maior respeito pela inteligência das pessoas, evitando declarações, que tendo algum fundo de verdade, nada justificam.

É tempo de repensar a democracia que temos e que queremos.

 

Lido na rádio Terra Mãe, em 19.07.2007.

Câmara de Aljustrel adquiriu a Casa da Horta

A Câmara Municipal de Aljustrel adquiriu, por 450 mil euros, a Casa da Horta (na foto, da Voz da Planície), um imóvel histórico que a autarquia quer ver transformado numa unidade hoteleira de qualidade já que o Concelho está “carente” de estruturas de alojamento.

Segundo o presidente da Câmara, a Casa da Horta é um edifício com um grande simbolismo porque foi durante mais de um século residência das administrações das empresas que exploravam as Minas. Para além do edifício, a Casa das Hortas tem ainda um amplo jardim, piscina, campo de ténis e um auditório.

Paulo Barriga absolvido

O juiz absolveu o jornalista Paulo Barriga da prática do crime de ofensa, no processo judicial contra ele movido pela anterior Câmara Municipal de Beja, depois da publicação de uma crónica de opinião no “Diário do Alentejo” com o título “As Bufas do Costume”, alegando que ele “deu um traço de criatividade, caricatura e humor” àquilo que se falava na cidade.

 

Segundo notícia da Rádio Pax, Carreira Marques, ex-presidente da Câmara, poderá responder por abuso de poder, favorecimento pessoal e falsificação de documento, na sequência de denúncias feitas por Madalena Palma, cujo depoimento, enquanto testemunha de Paulo Barriga, o juiz determinou que fosse transcrito na íntegra e que o mesmo fosse remetido para o Ministério Publico para instauração de inquérito. 

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