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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Tudo a nu

é o tema de capa da edição nº 73

da revista Mais Alentejo, que acabou de sair.

Outros temas com chamada na capa são:

- Mourão (des)espera por Alqueva;

- Então Vá, nós por cá todos no deserto;

- Viagem ao mundo do café;

- Dormindo no grande lago;

- Sines músicas do mundo;

- António Saleiro protagonista.

É ainda chamada a atenção para a

Rota das Adegas do Alentejo,

a distribuir gratuitamente com a próxima edição Julho de 2007 da revista.

O Alentejo para além do triângulo mágico

Há mais de dez anos que nos falam no triângulo mágico do desenvolvimento do Alentejo. Com o Porto de Sines, Alqueva e o Aeroporto de Beja o Alentejo terá o futuro garantido, prometem-nos. Tantas vezes que parece que nada mais têm para nos prometer.

Eles são, de facto, projectos indispensáveis e estruturantes do desenvolvimento do Alentejo. Mas será que são suficientes? Que não precisamos de mais nenhum projecto? Então e as ligações entre estes empreendimentos? O IP 8, o IP2? E as zonas que ficam mais afastadas deles e, consequentemente, fora das suas áreas de influência ficam a ver navios ou a olhar para o deserto?

Sempre receei que estes projectos, pese embora a sua enorme importância, fossem utilizados para nos fazerem acomodar e esquecer de muitos outros que são absolutamente necessários e que muito contribuirão para a fixação da população.

E não estou a pensar nos famosos PIN’s, que também são necessários, embora seja bastante discutível a escolha e implantação de alguns…

Estou a pensar nalguns dos sectores mais dinâmicos da economia regional – as autarquias, pelas condições e qualidade de vida que têm criado; as pequenas e médias empresas que constituem a quase totalidade do nosso tecido empresarial e empregam a maior parte dos trabalhadores; os ensinos superior e profissional, pela atracção e formação de milhares de jovens, que muito têm contribuído para a animação económica e social das nossas cidades e algumas vilas e, ainda, a agricultura, porque, para além de base económica regional e de alguma reserva alimentar nacional, é um dos elementos genéticos da nossa identidade cultural.

Sem estes sectores o “triângulo mágico” não passará de um esqueleto, porque lhe falta a carne e, principalmente, os músculos.

Por isso, parece-me que os planos e os instrumentos financeiros, a começar no PROT e QRER, deveriam priorizar e canalizar para estes sectores os meios disponíveis, porque serão mais e melhor reproduzidos, amigos do ambiente e de um ordenamento do território ajustado às suas características naturais e culturais.

Mas, por mais promessas que façam, não haverá verdadeiro desenvolvimento regional no Alentejo e no resto do país sem uma verdadeira política nacional de desenvolvimento regional, que tenha como objectivo o desenvolvimento equilibrado do todo nacional, e a regionalização.

Muitos confundem desenvolvimento com crescimento. Se é verdade que o primeiro precisa do segundo não é menos verdade que não se esgota nele.

Está na moda falarem-nos em tudo o que é grande, como se só o que é grande fosse bom…

É como se o crescimento das grandes cidades tivesse sempre gerado melhores condições e qualidade de vida para os seus residentes, quer os que nelas viviam antes quer os que as procuraram e contribuíram para que crescessem.

É como se os grandes projectos contribuíssem directa e automaticamente para a melhoria das condições e da qualidade de vida das zonas onde são instalados e das suas populações. 

Quantas vezes o crescimento das grandes metrópoles e a implantação de grandes projectos se fazem à custa da qualidade ambiental e de vida que aí existiam? Quantas vezes as populações que aí residiam pouco ou nada beneficiaram com esse crescimento?

O crescimento para se transformar em desenvolvimento tem de respeitar o ambiente, melhorar a qualidade de vida dos sítios onde é promovido e as condições de vida, incluindo uma mais justa repartição da riqueza produzida, dos que aí residiam e dos que optaram por aí passar a residir.

A implantação de alguns grandes projectos ou o crescimento de algumas das nossas cidades serão feitos com investimentos externos (estrangeiros ou de outras regiões), precisarão de muita mão-de-obra recrutada fora da região e, quase sempre, serão efectuados com sacrifício de áreas protegidas ou condicionadas. Sempre em nome do desenvolvimento…

Mas será que todos ganhamos com isso? Ou será que serão apenas os do costume a beneficiarem desses regimes de excepção, que lhes permite fazerem o que dantes não era permitido?

O Alentejo já teve mais gente, mas nunca teve muita população, mesmo nos seus principais centros urbanos.

Se é verdade que alguns aqui vivem porque não têm outra alternativa muitos continuam ou optaram por aqui viver pelas condições e qualidade de vida que a região dispõe.

Nem todos somos obrigados a gostar de montanhas de betão armado, de vias labirínticas, de multidões, de engarrafamentos e outras filas, de correrias, de insegurança e intranquilidade…

Alguns continuamos a gostar de conhecer e cumprimentar as pessoas com que nos cruzamos, de prestarmos e contarmos com a solidariedade dos vizinhos, da tranquilidade e do sossego das nossas terras ou montes, da simplicidade e facilidade dos percursos que fazemos, do prazer de convivermos com os amigos no largo…

Sem pôr em causa a necessidade de crescimento e de grandes projectos para o desenvolvimento do Alentejo, entendo que este deve ser promovido com respeito pela nossa identidade cultural e pelo ambiente natural, criando melhor qualidade e condições de vida mais justas para os seus habitantes.

Alvito, 15.05.07

Publicado na revista Mais Alentejo nº 73

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