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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Futuro do ensino superior no Alentejo

Há muitos anos, antes ainda do ensino politécnico ser instalado no Alentejo, já havia quem defendesse a transformação da Universidade de Évora em Universidade do Alentejo, com pólos noutras cidades.

Ao longo dos tempos, esta proposta foi retomada, com alguma frequência e por diferentes actores.

Esta é a melhor forma, segundo os seus defensores, de assegurar que a Universidade seja assumida por todo o Alentejo e, dessa maneira, contribua para o reforço da coesão regional.

Como único, se bem me lembro, argumento contra esta proposta tem sido apontado por responsáveis da Universidade o facto das universidades antigas (Lisboa, Coimbra, Porto, Évora, …) usarem o nome das cidades onde estão localizadas e não os das respectivas regiões.

Entretanto, foram instalados os institutos superiores politécnicos e outros, bem como pólos de algumas universidades em várias cidades do Alentejo.

Com esta nova realidade, que teve impactos importantes na afirmação e na vida económica e social das cidades que receberam essas instituições, foi-se acentuando, nalguns casos, a distância psicológica da Universidade de Évora.

Enquanto o tempo foi de “vacas gordas”, quer pela crescente procura do ensino superior pelos sistemas de financiamento que garantiram a todos um período florescente, aquela situação pouco ou nada parece ter incomodado os responsáveis dos estabelecimentos de ensino superior, os responsáveis políticos e os cidadãos em geral.

Até porque, para alguns os estabelecimentos de ensino superior eram autênticas “vacas sagradas”, cuja vida só dizia respeito aos seus responsáveis e respectivas academias.

Algumas boas intenções de aproximar e ligar o ensino superior e respectivos estabelecimentos ás instituições e às empresas da região, manifestadas principalmente em vésperas de eleições para os respectivos órgãos, não passaram, quase sempre, disso mesmo, de boas intenções, e destas, como dizem, está o inferno cheio.

Nos últimos tempos, com a redução gradual da procura e os apertos orçamentais acentuados pelos novos regimes de financiamento, os estabelecimentos de ensino superior passaram a ter a vida mais dificultada.

Alguns já encerraram, outros correm esse risco, e os mais sólidos – a Universidade e os institutos politécnicos – atravessam graves dificuldades, que os obrigaram a encerrar cursos, a dispensar professores, etc.

Tudo isto fez surgir as mais diversas hipóteses para resolver o problema, que a todos diz respeito.

Os institutos politécnicos, que foram criados para terem uma oferta formativa distinta da universitária, quer pela duração quer por ser um ensino mais prático, foram aproximando a sua oferta da oferta da universidade, quase não se entendendo para que vale a pena coexistirem.

Os responsáveis dos estabelecimentos ainda tentaram soluções do tipo “Chico esperto”, criando novos cursos com novos nomes e, por vezes, mais simplificados para atrair os que querem ter um curso superior a qualquer custo, ou criando os mesmos cursos ou similares nos vários estabelecimentos, concorrendo entre si, em vez de procurarem terem ofertas formativas distintas.

Ultimamente, os seus responsáveis começaram a falar em convergências diversas entre os vários estabelecimentos do Alentejo, do Sul, do Interior, com e sem os seus congéneres das regiões espanholas vizinhas.

Tudo isto se tem passado mais ou menos entre si, mais em divergência do que em convergência, quase sempre à margem da “sociedade civil”, passe a expressão, como se de “vacas sagradas” ainda se tratassem.

Foi, neste contexto, que, segundo julgo saber, Francisco Santos, presidente da Câmara Municipal de Beja, retomou a proposta da eventual transformação da Universidade de Évora em Universidade do Alentejo, com pólos noutras cidades.

É claro que tal proposta veio gerar uma grande polémica. Ainda bem que tal aconteceu, porque com ela a discussão sobre o futuro do ensino superior no Alentejo foi colocada na ordem do dia, foi aberta a todos, deixando de ser assunto tabu reservado apenas aos “guardiães dos templos” e ela veio tornar mais premente a necessidade de se voltar a discutir a regionalização.

Como escreveu, recentemente, Bento Rosado, pergunta-se: “Porque não começar já a regionalização com a transformação da Universidade de Évora em Universidade do Alentejo”?

 Porque não fazer já a reorganização da rede de ensino superior no Alentejo, sem paternalismos de quem quer que seja e com respeito por todas as zonas da região, de forma a constituir um forte contributo para o reforço da sua coesão interna, pergunto eu?

 

Lido na Rádio Terra Mãe, em 31.05.07

Comentários recentes

  • Anónimo

    Tem toda a razão, só os boys do costume.

  • Anónimo

    Dos socialistas não, dos boys e girls.

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    Vai ficar tudo na mesma.

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    Concordo com a sua preocupação! Os populismos que ...

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