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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Alentejo terra de oportunidades iguais para todos

Muitas vezes muitos confundem desenvolvimento com crescimento. Se é verdade que o desenvolvimento precisa do crescimento não é menos verdade que não se esgota nele.

Está na moda falarem-nos em tudo o que é grande, como se só o que é grande fosse bom…

É como se o crescimento das grandes cidades tivesse sempre gerado melhores condições e qualidade de vida para os seus residentes, quer os que nelas viviam antes quer os que as procuraram e contribuíram para que crescessem.

É como se os grandes projectos contribuíssem directa e automaticamente para a melhoria das condições e da qualidade de vida das zonas onde são instalados e das suas populações. 

Quantas vezes o crescimento das grandes metrópoles e a implantação de grandes projectos se fazem à custa da qualidade ambiental e de vida que aí existiam? Quantas vezes as populações que aí residiam pouco ou nada beneficiaram com esse crescimento?

O crescimento para se transformar em desenvolvimento tem de respeitar o ambiente, melhorar a qualidade de vida dos sítios onde é promovido e as condições de vida, incluindo uma mais justa repartição da riqueza produzida, dos que aí residiam e dos que optaram por aí passar a residir.

A implantação de alguns grandes projectos ou o crescimento de algumas das nossas cidades serão feitos com investimentos externos (estrangeiros ou de outras regiões), precisarão de muita mão-de-obra recrutada fora da região e, quase sempre, serão efectuados com sacrifício de áreas protegidas ou condicionadas ambiental ou culturalmente. Sempre em nome do desenvolvimento…

Mas será que todos ganhamos com isso? Ou será que serão apenas os do costume a beneficiarem desses regimes de excepção, que lhes permite fazerem o que dantes não era permitido?

O Alentejo já teve muito mais gente, perdeu cerca de um terço no último meio século, mas nunca teve muita população, mesmo nos seus principais centros urbanos.

Se é verdade que alguns aqui vivem porque não têm outra alternativa muitos continuam ou optaram por aqui viver pelas condições e qualidade de vida que a região dispõe.

Nem todos somos obrigados a gostar de montanhas de betão armado, de vias labirínticas, de multidões, de engarrafamentos e outras filas, de correrias, de insegurança e intranquilidade…

Alguns continuamos a gostar de conhecer e cumprimentar as pessoas com que nos cruzamos, de prestarmos e contarmos com a solidariedade dos vizinhos, da tranquilidade e do sossego das nossas terras ou montes, da simplicidade e facilidade dos percursos que fazemos, do prazer de convivermos com os amigos no largo, na taberna ou no tanque…

Sem pôr em causa a necessidade de crescimento e de grandes projectos para o desenvolvimento do Alentejo, entendo que este deve ser promovido com respeito pela nossa identidade cultural e pelo ambiente natural, criando melhores qualidade e condições de vida mais justas para os seus habitantes.

Por isso e para que isso aconteça insisto em que, para além dos grandes projectos que vão estruturar o desenvolvimento da nossa região, importa diversificar os apoios aos pequenos projectos da responsabilidade das entidades mais dinâmicas, que mais emprego conseguem gerar e mais valor conseguem incorporar. 

Não se trata de defender um Alentejo só para os alentejanos nem tão pouco a planificação da economia ou a protecção de alguns sectores, mas, pelo contrário, de criar regras iguais para todos. 

É preciso que “o Alentejo onde muito poucos têm quase tudo” dê lugar a “um Alentejo terra de oportunidades iguais para todos”. É esta a pátria que o povo alentejano ambiciona. Para lá chegar a regionalização é o melhor caminho. 

 

Lido na rádio Terra Mãe, em 16.05.07

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