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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Zeca Afonso morreu há 20 anos

Em 1987, José Afonso deixou-nos, vítima de doença incurável. Além de ser, juntamente com Adriano Correia de Oliveira, um dos mentores da canção de intervenção em Portugal e um baladeiro/compositor notável, soube conciliar a música popular portuguesa e os temas tradicionais com a palavra de protesto. Zeca trilhou, desde sempre, um percurso de coerência. Na recusa permanente do caminho mais fácil, da acomodação, no combate ao fascismo salazarento, na denúncia dos oportunistas, dos "vampiros" que destroçaram Abril, no canto da cidade sem muros nem ameias, do socialismo, da "utopia".
Injustiçado por estar contra a corrente, morreu pobre e abandonado pelas instituições. Mas não temos dúvidas, a voz de "Grândola" perdurará para lá de todos os chacais.

In: www.azeitao.net/zeca/index.html

Francisco Felgueiras faleceu há dez anos

Francisco Felgueiras faleceu há dez anos, no dia 22 de Fevereiro, três dias depois do seu aniversário. Hoje faria 60 anos.

A Revolução dos Cravos apanhou-o quando ele trabalhava numa seguradora, na margem sul da grande Lisboa.

Com a nomeação de Brissos de Carvalho para Governador Civil de Beja, logo a seguir a 25 de Abril de 1974, Francisco Felgueiras foi nomeado seu adjunto.

Foi assim que veio para Beja. Aqui, no exercício daquelas funções, acompanhou os processos de criação do Sindicato dos Trabalhadores Agrícolas e da Reforma Agrária.

Em 12 de Dezembro de 1976, nas primeiras eleições livres e democráticas do Poder Local Democrático, foi eleito presidente da Câmara Municipal de Cuba, cargo que exerceu durante dois mandatos e lhe granjeou grande simpatia junto da população daquele concelho, onde foi enterrado.

A seguir foi eleito presidente da Câmara Municipal de Ourique, que arrebata ao PSD, exercendo o cargo durante um mandato.

Mais tarde, trabalhou na Associação de Municípios do Distrito de Beja (AMDB, hoje AMBAAL), de que foi um dos seus fundadores e primeiros dirigentes, quando presidente da Câmara Municipal de Cuba.

Finalmente, foi presidente da Região de Turismo da Planície Dourada, que ajudou a criar. Foi, neste período, que perdeu a vida num acidente de viação, junto aos Coitos, perto de Beja.

Conheci Francisco Felgueiras algum tempo depois de ter vindo para Beja, mas foi, a partir de 1989, quando fui eleito presidente da AMDB, que com ele passei a privar e nos tornámos amigos.

Trabalhámos íntima e intensamente na AMDB, onde eu era presidente e ele administrador-delegado, e na Região de Turismo da Planície Dourada, onde eu, também, era presidente e ele vice-presidente, substituindo-me frequentemente nestas funções e tendo-me substituído definitivamente quando renunciei ao cargo, quando fui eleito presidente da Câmara Municipal de Alvito.

Esta relação de proximidade, que mantivemos até ao seu falecimento, permitiu-me conhecer bem Francisco Felgueiras.

Sendo originário de uma família conservadora da burguesia nortenha, cedo abraçou a causa dos trabalhadores e dos mais desfavorecidos, o que o levou a aderir ao PCP, a que se manteve ligado até à morte.

Era um visionário. Não se preocupava apenas com o presente e o futuro mais próximo. Queria ver mais longe e intervinha em função disso. Era muito inteligente e perspicaz. Apercebia-se e compreendia com facilidade o que outros tinham dificuldade em alcançar. Esteve sempre com as ideias e os projectos mais avançados para a região.

Era um homem bom. Tinha uma generosidade sem limites. O que tinha era de todos. Sempre atento e preocupado com os outros. Sempre disponível para ouvir os outros e dar-lhes os seus conselhos e opiniões, quando lhe pediam. Não éramos poucos os que a ele recorríamos sempre que nos encontrávamos em dificuldades e precisávamos de ajuda, de uma palavra sábia, amiga e de confiança…

Francisco Felgueiras não foi nem queria ser um santo. Tinha os seus defeitos e cometeu os seus erros. Tinha dias bons, em que era de uma simpatia e capacidade de trabalho quase insuperáveis, como tinha dias maus, em que era difícil de aturar. Era humano.

Mas o que fez pelos outros, designadamente pelos alentejanos, e pela nossa região foi muito, tanto como poucos fizeram. Não o devemos esquecer. Eu não me esqueço.

19 de Fevereiro de 2007

Lopes Guerreiro

Publicado na edição de hoje do Diário do Alentejo

Produtos alentejanos com denominação de origem protegida

Azeite do Alentejo Interior, Paio de Beja e Linguiça do Baixo Alentejo ou Chouriço de Carne do Baixo Alentejo foram os produtos do distrito de Beja que conquistaram a Denominação de Origem Protegida (DOP), aumentando a lista da Comissão Europeia de produtos protegidos.

A Denominação de Origem Protegida, criada em 1992 pela Comunidade Europeia, é um título atribuído a um produto cuja produção, transformação e elaboração ocorrem numa área geográfica delimitada com um saber fazer reconhecido e verificado, visando salvaguardar os produtos de concorrência desleal.

Castro e Brito afirmou, à Voz da Planície, que a atribuição da Denominação de Origem Protegida oferece vantagens aos consumidores e aos produtores: Para o consumidor existe a garantia que está a comprar “qualidade” e para o produtor representa um “nicho” de mercado que deve ser explorado.

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