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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Do real ao virtual

Existe um país real que se chama Portugal.

Este país real, é dos mais atrasados da União Europeia, não tendo melhorado a sua posição relativa nos trinta anos de integração que, neste ano, se assinalam.

Nele os rendimentos distribuídos pelos 20% dos mais ricos é 7,2 vezes superior aos distribuídos pelos 20% dos mais pobres. Aqui ao lado, em Espanha, esse rácio é de 5,1 e no centro da Europa, na Alemanha, é de 4,4. Isto é, o país mais pobre é o que concentra mais a pouca riqueza produzida.

Os ordenados e pensões dos portugueses, com excepção dos que ocupam posições de topo, são dos mais baixos da União Europeia. A qualificação profissional, o abandono escolar e a taxa de analfabetismo são das mais altas.

É este país real que, cada vez mais, nos é apresentado como um país virtual.

José Sócrates e o seu governo decidiram tudo fazer para nos fazerem esquecer o país real que somos e acreditarmos que vivemos no país das maravilhas. Para tal, José Sócrates vai mesmo ao ponto de nos lembrar trechos da “Alice no país das maravilhas”.

Todos os dias somos bombardeados com o anúncio de novas medidas que o governo tomou, vai tomar, está a preparar ou a sonhar. Trata-se de uma verdadeira “overdose” de propaganda que, como todas as “overdoses” pode ter nefastas consequências.

Anunciaram-nos um combate feroz ao défice. Agora mostram-se todos satisfeitos porque as contas públicas do ano passado terão encerrado com um défice de 6,02% (esta mania das centésimas…). Mas 2004 não fechou com um défice 5,2%, já sem as habilidades contabilísticas do PSD? Então o que era péssimo antes, para o PS na oposição, passa agora, com o PS no governo, a ser bom, mesmo piorando?

Sócrates, o PS e o governo anunciaram que só haveria novo referendo à regionalização na próxima legislatura.

Mas, entretanto, não ficaram parados. Sócrates não é só um filósofo, é também, e acima de tudo, um decisor sem dúvidas e que nunca se engana (onde é que eu já ouvi isto?!), como “animal feroz” que se preza.

Queriam regionalização? -  Não há regionalização mas há PRACE (Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado). 

Mas isso traz descentralização do poder, isto é, transfere algum poder de decisão para órgãos mais próximos dos administrados, dando assim cumprimento ao princípio da subsidiariedade? – Não, antes pelo contrário, o PRACE vai centralizar mais os serviços desconcentrados da administração central.

Para o governo, não interessa saber o que deve ser público, na alçada do Estado, ou privado. Não interessa saber o que, sendo público, deve ser tratado pelo governo, através da administração central, pelas regiões administrativas, a criar como determina a Constituição da República Portuguesa, ou pelos municípios e freguesias. Isso fica para depois, para a próxima legislatura ou para “dia de são nunca à tarde”…

Entretanto, encerram escolas, maternidades, urgências, esquadras da polícia e postos da GNR e anunciam a extinção de freguesias… É o Interior que vai ser, ainda mais, fechado. E tudo isto em nome do desenvolvimento equilibrado do país…

Anunciam-nos guerra aberta à burocracia. Para além dalgumas medidas já tomadas, algumas bastante positivas como a da criação da empresa na hora, anunciam agora mais 333. Sim é verdade!, são mesmo trezentas e trinta e três. Nem mais nem menos.

A aplicação de todas essas medidas vai permitir poupar não sei quantos milhões de euros em papel. Não sei se nessas contas foi contabilizado todo o papel necessário para o anúncio e a publicidade das medidas…

Parece que agora, com 333 medidas desburocratizadoras, vamos todos poder tratar de tudo através da Internet. Entramos, assim, no país virtual. Na realidade somos analfabetos mas virtualmente sabemos tudo e, por isso mesmo, ninguém se atrapalhará em tratar de todos os assuntos, por mais complexos que sejam, através da Internet, graças ao Simplex.

Nunca gostei da expressão “velho do Restelo” e muito menos gosto de lhe vestir a pele.

Gosto de mudança, porque “o mundo é feito de mudança”. Mas não da mudança pela mudança. Não da mudança porque é preciso mudar alguma coisa para que tudo continue na mesma.

Gostava de ser capaz de vislumbrar como, quanto e quando o país vai melhorar com os PIN’s, com o PRACE e com o SIMPLEX e outros programas que têm preenchido a estratégia de propaganda do governo. E quem mais vai ganhar com tudo, se os 20% dos mais ricos ou os outros, principalmente os 20% dos mais pobres.

É que também as mudanças não são neutras. E se as que o governo anuncia em catadupa servirem para aumentar, ainda mais, o fosso entre os ricos e os pobres, devemos dizer: Não, obrigado!

A eficácia e a eficiência da tomada de decisões exige a participação e o envolvimento de todos. Não para as adiar eternamente mas para as qualificar. A determinação não se confunde com prepotência. O autoritarismo não joga com democracia. O autismo começa quando se deixa de ouvir os outros. Seria bom que José Sócrates e o governo tivessem isto presente…

Alvito, 3 de Abril de 2006

jlopesguerreiro@sapo.pt

in Mais Alentejo nº 62

Mais Alentejo nº 62 já saiu

Saiu durante a 23ª OVIBEJA o número 62 da revista Mais Alentejo.

Como tema de capa a revista traz "Liliana menina e moça". Na capa chama ainda a atenção para ALCÁCER TEM SAL, E DEPOIS DE ABRIL, OVIBEJA CADA VEZ MAIS FIXE, SABOR A PORTALEGRE, PLANÍCIE TRANSPIRA ARTE E e a grande entrevista a PACO BANDEIRA. 

Como sempre nesta revista há Mais Alentejo.

Depois da festa...

..., isto é, depois da OVIBEJA é preciso desmontar os standes e todas as estruturas que foi preciso montar para o efeito.

É isso que a fotografia mostra. Até ao fim de semana todo o recinto (Parque de Feiras e Exposições, ACOS e NERBE ) ocupado pela OVIBEJA fica limpo e arrumado, como nada ali se tivesse passado. 

É a rotina que se repete no fim de todas as feiras...

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