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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Dever cumprido

Com este título publiquei, na revista Mais Alentejo este texto:

Em Outubro próximo termino (ou interrompo?) as minhas experiências autárquicas, iniciadas a meio do mandato de 1980/82, ao entrar na Assembleia Municipal de Beja, em substituição de um eleito que entretanto a tinha abandonado.
Nas eleições seguintes fui eleito vereador da Câmara Municipal de Beja, onde me mantive durante três mandatos.
Em 1993 fui eleito presidente da Câmara Municipal de Alvito, o que viria a repetir em 1997. Em 2001, tendo perdido as eleições, fui eleito vereador, cargo que desempenho.
Fui ainda presidente da AMDB, da Região de Turismo da Planície Dourada e da AMCAL e vogal do Conselho Directivo da ANMP.
Fui autarca porque para isso fui convidado. Não tinha essa ambição porque não me agradava a ideia de exercer funções institucionais.
Sempre entendi que quem desempenha funções colectivas ou institucionais não deve esperar qualquer reconhecimento.
Mais de vinte anos depois sinto que tenho as contas saldadas: Com o meu Partido, que me escolheu para o desempenho daquelas funções; com as populações, que me elegeram e a quem servi com total entrega e dedicação, independentemente dos cargos que ocupei.
Desempenhei as funções de vereador da oposição com o mesmo interesse com que exerci as de presidente da Câmara. Sempre respeitei de igual modo os resultados eleitorais. Estes não são bons quando ganhamos e maus quando perdemos. São sempre a expressão da vontade das populações.
Certamente que nem tudo o que fiz foi o mais correcto mas seguramente que foi convencido disso que fiz.
Não será certamente por acaso que perdi as últimas eleições em Alvito. Concerteza que fui o principal responsável dessa derrota. Certamente que não foi por falta de trabalho. Quem disso tenha dúvidas, compare o que foi feito no mandato de 1998 a 2001 com todos os outros e tire daí as suas conclusões. Mas certamente que houve razões para as populações preferirem outro na presidência da Câmara Municipal de Alvito.
O meu Partido nunca criticou a minha actuação enquanto autarca, tendo alguns dirigentes várias vezes realçado o meu trabalho. Face às minhas críticas públicas ao seu funcionamento e à sua direcção, esta considerou que não devia ser candidato da CDU, nas próximas eleições.
Em meados de Março, face à forma como o processo eleitoral da CDU foi conduzido no Redondo, expressei, através da comunicação social, as seguintes opiniões:
- o centralismo prejudica o Estado e os partidos. Quando não se tem em conta a opinião das organizações locais é normal que as coisas não corram bem;
- parece-me evidente que a direcção do PCP está a ter em conta, na escolha dos seus candidatos, as posições críticas assumidas por alguns;
- não fui contactado (nem tenho de ser) pela direcção do PCP sobre uma qualquer eventual participação em listas autárquicas;
- considero urgente que seja construída uma candidatura, com programa e protagonistas, capaz de afastar a actual gestão PS e retomar o trabalho, interrompido há 3 anos, de fazer de Alvito um bom Concelho;
- continuo a achar pertinentes e actuais as críticas que fiz aquando do último congresso do PCP.
Por tudo isso aquela era uma decisão há muito esperada. Para quem tivesse dúvidas bastava ter ouvido Jerónimo Sousa dizer, na Ovibeja a propósito do processo autárquico da CDU no Alentejo, que: “A direcção nacional do PCP não persegue ninguém. Não percebo!: Quando renovamos é porque renovamos, quando mantemos somos ortodoxos ou conservadores".
Acontece com frequência ficarem descontentes os que são preteridos na escolha para qualquer lugar importante. Com o facto de não terem sido de novo escolhidos mas também com os processos de escolha usados.
Escolher pessoas é sempre difícil e complexo dada a natureza humana.
Mas, há muito que defendo isto, os processos usados nem sempre são os mais correctos. Por vezes, em vez de critérios rigorosos, da frontalidade e clareza que deveriam ser usados na avaliação dos quadros, opta-se por critérios baseados no "diz-se", no "consta", no "parece", ou seja, no "emprenhar pelos ouvidos".
É por isso que surgem cada vez mais "trepadeiras", ou seja, "os que se põem a jeito", os que estão sempre de acordo com tudo e com todos, principalmente com os "chefes"... E estes gostam disso e assim se vão “enterrando” e às organizações que lideram...
Nunca deixei de fazer o que achei que devia fazer para ganhar simpatias ou votos. Sempre defendi as minhas razões até me demonstrarem que não as tinha. Não me calo nem dou a razão a outros só para fazer jeito ou daí tirar proveito. Não tenho feitio fácil mas procuro ser íntegro.
Não sinto mágoa nem revolta por não ser candidato às próximas eleições autárquicas. Estou consciente do dever cumprido e isso dá-me uma grande tranquilidade e paz de espírito.
É tempo de outros prosseguirem e melhorarem o trabalho que tenho desenvolvido, quer a nível partidário quer a nível autárquico. Uma certa moderação numa intervenção política intensa como a que tenho tido há trinta anos permitir-me-á, espero, uma reflexão menos apaixonada e mais racional da actividade política.
Alvito, 20 de Junho de 2005

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