Alvitrando
Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.
27
Jan 04

Voltemos à poesia de Raul de Carvalho:

Perdoei agravos
Perdoei agruras.
Esqueci algemas,
Esqueci torturas.
Cravos, açucenas,
Luzes das alturas,
Se vivo esquecendo
Minhas desventuras,
Porque não me dais
Tuas vidas puras
E me renegais
E me dais tristuras
Em vez de alegrias
publicado por Zé LG às 23:05
24
Jan 04

O saudoso Adriano Correia de Oliveira, ao musicar este belo poema de Raul de Carvalho, contribuiu para tornar quase mítica a histórica e muito bela vila de Alvito:

A vila de Alvito
tem ruas e praças
homens e mulheres
e muitas desgraças.
A vila de Alvito
tem dois lavradores.
Tem muita riqueza
e raros amores.
A vila de Alvito
Tem uma cruz ao lado -
Quem manda na vila
não lhe dá cuidado
Maltezes, ganhões,
sangue misturado.
Na vila de Alvito
é que eu fui cuidado.

Hoje há dois autarcas que mandam na vila de Alvito e que não lhe dão cuidado...
Raul de Carvalho merece ter o seu nome na nova biblioteca municipal.
publicado por Zé LG às 23:07
23
Jan 04

É uma tristeza integrar uma câmara municipal que rejeita o nome de um dos mais importantes poetas portugueses da segunda metade do século passado, que integra a História da Literatura Portuguesa, de António José Saraiva e Óscar Lopes, o Dicionário de Literatura, dirigido por Jacinto Prado Coelho, ou as Líricas Portuguesas, organizadas por Jorge Sena, que ganhou o Prémio Simon Bolívar, em Siena em 1955, para a nova biblioteca municipal.
Só a mais completa cegueira política pode explicar por que o nome do poeta alvitense Raul de Carvalho não foi atribuído à nova biblioteca municipal.
Depois de perseguido em vida, quem manda na sua terra continua a persegui-lo depois de morto.
"Raul de Carvalho fez por Alvito algo que não está a nenhum dos que hoje têm poder de decisão: transformou-a numa vila mítica, elevou-a a um categoria estética, transformou-a em bem simbólico. Nâo precisou de viver em Alvito para imortalizar Alvito. Dar o seu nome à biblioteca, seria uma forma simples de retribuir, como escreveu Luísa Leal, autora da obra "A Construção do Sujeito na Poesia de Raul de Carvalho". O presidente da Câmara preferiu pagar-lhe com a vingança do esquecimento.
É miopia, é mesquinhez, é sectarismo, é um acto digno da Inquisição,... O tempo fará justiça!
publicado por Zé LG às 18:25
14
Jan 04

ALVITRANDO porquê? - porque alvitrar significa que se dão alvíssaras e eu quero dar alvíssaras, isto é, agradecer a quem quiser dar notícias, a quem quiser comunicar, a quem quiser trocar ideias sobre temas gerais e, em especial, sobre o Alentejo e o poder local.
Pela minha parte, irei dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que, pela sua pertinência ou oportunidade, achar que devem ser divulgados por esta via, que hoje decidi abrir.
publicado por Zé LG às 23:25
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