Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

"DOIS AMIGOS"

Zé LG, 27.10.10

 

O Jorge e o Lopes, amigos de longa data, andam assim a modos que de candeias às avessas. Longes vão uns tempos em que o Lopes dizia que o Jorge daria um bom presidente da Câmara de Beja. É claro que naqueles tempos não se presumia que o Jorge poderia vir no futuro a candidatar-se e a ganhar aquele lugar, nem o partido do Lopes pensava que as respectivas eleições pudessem alguma vez ser perdidas pelas suas cores.

Mas a roda da vida dá muitas voltas e não é que o Jorge é agora, e desde há um ano, o presidente da Câmara de Beja? Para o partido do Lopes criou-se um grande problema: como correr com o Jorge.

A palavra de ordem foi a de fazer oposição rija nas reuniões da Câmara e da Assembleia Municipal, dar conferências de imprensa e fazer sair comunicados. Está bem, mas não chega!

Mandam-se então avançar os ratos e as baratas que, a coberto do cobarde anonimato, espalham a calúnia como um lento veneno: que o Jorge só pensa em namorar e em fazer viagens para o estrangeiro, que o Jorge nunca está na Câmara, que o Jorge quer sair de presidente para um lugar mais importante e mais bem pago, que o Jorge usa cuecas com a figura do Pato Donald, etc. Há que continuar esta linha, mas também não chega!

E que tal alguém amigo do Jorge para vir atacá-lo? Boa ideia. E salta o Lopes (que aliás já desde há uns tempos que estava morto por saltar) empunhando uma carta aberta:

Caro Jorge
Hesitei se devia ou não escrever-te esta carta, mas o respeito pela nossa amizade (…) obrigou-me a fazê-lo.
Não te apoiei na tua candidatura à Câmara de Beja, porque nos encontramos em campos partidários concorrentes e adversários. Mas desejei-te sucesso depois das eleições, porque isso seria bom para o concelho e porque sou teu amigo.
Começaste mal o mandato

E depois é zurzir neste primeiro ano de mandato do Jorge.

O Jorge não gostou (pudera!) e respondeu contradizendo a análise do Lopes, mas ficou-lhe a pulga atrás da orelha:

Deixo-te uma pergunta. Qual o verdadeiro objectivo desta carta aberta?

O Lopes, outra vez abertamente, respondeu à pergunta:

Acho que mais do que procurar culpas e culpados e andar à caça de bruxas, importa motivar, envolver e mobilizar todos os dispostos e disponíveis em transformar Beja num concelho mais amigo. Mais amigo do ambiente, mais amigo do desenvolvimento e, por último porque elas são as primeiras, das pessoas. Nessa acção, mais do que apurar o que nos divide e excluir os que não pensam da mesma maneira, importa procurar o maior denominador comum, como há muito defendo.
Talvez agora o meu amigo Jorge Pulido Valente compreenda melhor os objectivos da minha carta aberta.

Eu confesso que se a primeira carta do Lopes me emocionou, a segunda me fez vir as lágrimas aos olhos. O segredo para que Beja ande para a frente é que sejamos todos amigos uns dos outros. E o Lopes teve um gesto bonito ao oferecer a sua amizade ao Jorge.

Mas a natureza humana é fraca e não sei se o Lopes não estará a dizer para consigo próprio: “amigos, amigos, mas o partido está primeiro” e se o Jorge não estará a perguntar aos seus botões: “com amigos destes quem é que precisa de inimigos?”

Crónica de Vítor Silva na Rádio Pax.

4 comentários

Comentar alvitre