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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Já não há objecção de consciência?

Escrevo estas linhas no rescaldo da segunda semana de Maio, densa em acontecimentos.

José Sócrates pôs a circular que “o mundo mudou nas últimas três semanas” e que o país esteve à beira da banca rota porque a banca internacional esteve para cortar o crédito, o que impedia o Estado de saldar os seus compromissos imediatos. Se assim foi, porque não nos informou claramente o governo? E como é que uma ameaça de banca rota apareceu e desapareceu sem que nada de concreto tivesse, entretanto, acontecido? Até onde vai o virtual e onde começa a realidade?

Pegando na deixa, o PSD, de Passos Coelho, para evitar eleições já e tentando ganhar credibilidade e mostrar que “antes do partido está o país”, deu a mão ao governo e negociou um pacote de medidas de austeridade, que só não foi mais longe porque o governo não quis. Logo apareceram os mesmos do costume, com Mário Soares à frente, a elogiar o bom senso e até a sua estatura de homem de Estado. Até onde vai a desvergonha dos arranjinhos desta gente para salvar a face, os interesses e o sistema!...

O Papa Bento XVI visitou Portugal e, através de uma campanha de comunicação bem urdida, quase fez esquecer os inúmeros escândalos e problemas que a igreja enfrenta e saiu com melhor imagem pública do que entrou. Os mais altos dignitários da nação prestaram-lhe vassalagem, incluindo os que não professam essa ou outra qualquer religião.

Cavaco Silva promulgou a lei dos casamentos gay, apesar de discordar em consciência, mas por a situação obrigar o país a concentrar-se no que é mais importante. E isto depois de ter andado num beija-mão subserviente ao papa. Para Cavaco Silva, a consciência, moral, ética e religiosa, é algo que se pode trocar pelos interesses “do país”, ou seja, pelo seu interesse em ser reeleito Presidente da República.

O PCP apresentou uma moção de censura política ao governo, encerrando “um juízo sobre o rumo de desastre nacional imposto ao país nos últimos anos pela política de direita, e aos seus principais promotores”… e “expressão da necessidade de ruptura e mudança, de exigência inadiável de uma política assente na produção nacional, na criação de emprego, no desenvolvimento, na justiça social, nos direitos e em melhores salários, na soberania nacional”. Logo apareceram os “guardiães do sistema” a multiplicarem-se em declarações, com José Sócrates à cabeça a afirmar que "acho absolutamente lamentável e condenável a atitude de irresponsabilidade do partido comunista", porque "num momento destes, deitar o governo abaixo não é correcto" nem "contribui em nada para resolver os problemas do país". Vamos, pois, ficar à espera de que, quem se sente “o dono da política económica portuguesa”, diga quando é o momento correcto para deitar abaixo o governo… e, se não for pedir muito, quando é que resolvem os problemas do país.

Parece serem inevitáveis medidas de austeridade. Aquilo que é questionável é o sentido dessas medidas. Quando o governo, com o beneplácito do PSD, aumenta a taxa do IVA em 20% (de 5% para 6%) dos produtos de primeira necessidade e em 5% (de 20% para 21%) no geral e fala em equidade está tudo dito, para quem não ande distraído.

E quanto à crise não existem responsáveis? Será que quem tem (des)governado o país, incluindo a dúzia de ex-ministros das Finanças que foram alertar o PR para a gravidade da situação e a necessidade de serem tomadas medidas draconianas, não têm qualquer responsabilidade na situação?!

Para que nem tudo fosse mau, num período tão curto, o Benfica voltou a ser campeão, cinco anos depois, e pôs milhões de pessoas a festejar por todo o país e na diáspora, e o Porto salvou a época ganhando a Taça de Portugal, o que lhe permitiu fazer uma festinha na Invicta.

Duas notas finais:

A teoria marxista preconiza que no socialismo “todos devem trabalhar” e “a trabalho igual salário igual” ou “a cada um segundo o seu trabalho”.

Parabéns à Mais Alentejo, pelo 10º aniversário, assinalado com a sua 100º edição, o que é caso raro, senão único, neste tipo de revistas e com esta qualidade, na comunicação social do Alentejo.

Alvito, 18.05.2010

Publicado na edição nº 100 da revista Mais Alentejo.

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