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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

As “transacções” do nosso Presidente

Há dias ouvi o Senhor Prof. Cavaco Silva, nosso ilustre e muito competente Presidente da República, apelar para que todos nós, e muito em especial quem nos governa, fizéssemos muita atenção à forma como gastamos os tostões que ainda nos restam.

Achei bem! Aquele ar sério, pausado e convicto, com sublinhados e arrastados ênfases a emprestar profunda convicção ao que diz, denotam o profundo desejo de que acreditemos no que é dito, não só pelo Presidente, mas também pelo Professor, por supostamente ser bom conhecedor da matéria abordada.

Disse-nos ele na ocasião: que só devemos desenvolver projectos e investir na produção de produtos -  “Transaccionáveis” e repetiu  várias vezes, como é seu hábito, a palavra “transaccionáveis”.

Na minha ignorância…interessada em compreender com rigor o que o nosso Presidente - Professor  nos estava a dizer, pus-me a pensar no que seriam exactamente os tais produtos transaccionáveis que o nosso Presidente queria que nós produzíssemos com rigorosa exclusão dos que não o são (óbvia dedução minha).

Confesso que dadas as minhas insuficiências de compreensão, tive grandes dificuldades em separar os produtos transaccionáveis dos não transaccionáveis!

Pareceu-me que o Senhor Presidente estava a querer dizer-nos que os produtos transaccionáveis são aqueles que podemos vender aos outros; mas… e os que compramos? Estes só são transaccionáveis por quem os vende? Nós, os compradores, não entramos na transacção? Seguindo uma linha de pensamento coerente com este induzido conceito de “transacção”…fez-se-me luz…eureka!

Finalmente compreendi a razão pela qual deixamos ao abandono, pelo menos, dois terços do território nacional.

Aí compreendi porquê somos tão pobres!

É porque os outros é que transaccionam connosco quase tudo o que comemos; e por isso deixamos os tais dois terços do País (mais coisa menos coisa) ao abandono… Aí compreendi uma das origens do flagelo social que vitimiza os tais seiscentos mil desempregados acantonados maioritariamente nas periferias das cidades, ao mesmo tempo que escasseiam os projectos de produção alimentar em meio rural por falta de mão-de-obra. Aí compreendi, a lógica suprema da moderna sabedoria económica, que as palavras do nosso Presidente parecem sugerir…Transaccionar é vender! - Produzir para deixar de comprar…é proteccionismo, é anti – mercado?

Senhor Presidente, diz-se que o hábito faz o monge, de tanto lidar com a “frieza” dos números, será que perdeu a sensibilidade para ponderar o social, esqueceu-se que os “bons negócios” escondem por vezes desagradáveis surpresas…para nosso bem, de todos nós, lembre-se que estômagos vazios costumam ter dificuldade em compreender as “lógicas” da economia, e, quando estes se revoltam, já não se consegue “transaccionar” coisa nenhuma.

O que precisamos senhor Presidente, com prioridade absoluta, é de por os meios e recursos de produção que temos… a produzir, produzir para a fartura da casa, (como dizem os alentejanos) e para vender também, como é óbvio.

A fome e a miséria reinante em Países que apostaram quase exclusivamente em produzir para exportar, são exemplos históricos a considerar.

Camilo Mortágua (Abril de 2010)

 

Recebido por e-mail.

Comentários recentes

  • Anónimo

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