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Alvitrando

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.

O que é que (ainda) me prende ao PCP?

Esta é uma questão que, cada vez mais com maior frequência, me colocam e que eu coloco a mim mesmo.

É verdade que me continuo a identificar com a sua ideologia, embora recusando aceitá-la como um dogma que alguns pretendem impor.

É também verdade que me identifico com a generalidade das políticas que propõe e defende bem como das críticas que faz ao sistema capitalista e às forças políticas que as aplicam.

É ainda verdade que também me identifico com muitos dos princípios que defende, como o trabalho, a competência, a honestidade, o desprendimento dos lugares que se exercem, embora cada vez menos aplicados por cada vez mais.

Mas se todas essas razões pesam na minha filiação no PCP, há uma outra que é mais determinante que todas elas, que é a relação fraterna e solidária que mantenho com a sua base social de apoio e alguns dos seus protagonistas, principalmente a nível local.

Até quando estas razões, e principalmente esta última, vão ser suficientes para superar o crescente afastamento que sinto do partido, que não me convoca para discutir ideias, políticas, nem sequer orientações e decisões práticas e apenas conta comigo para receber as quotas e comparticipações pecuniárias e me convoca para três ou quatro reuniões anuais, para me transmitir o que já está decidido?

Até quando vou admitir que a estratégia e o funcionamento interno do partido, traduzido nalgumas práticas menos democráticas, vão mudar se a direcção, esta e as anteriores, têm vindo, nalguns casos, a acentuar o que mais tenho criticado e, em minha opinião, tem impedido o partido de crescer como seria de esperar num ambiente tão favorável, como agora se viu?

Embora sempre crítico, sempre tenho dito aos que lidam mal com as minhas críticas que mais depressa eles abandonariam o partido do que eu. E assim já aconteceu com muitos deles.

A minha ligação ao PCP não resultou de “namoro à primeira vista” nem sequer de ligação afectiva. Aderi ao partido, em Abril de 1975, depois de ter analisado todas as forças políticas existentes e de ter concluído ser o PCP aquela com cujo ideário e políticas mais me identificava, embora discordando de algumas das suas práticas, tácticas e estratégia, e, em função disso, ter considerado ser o melhor instrumento de intervenção na sociedade para a fazer evoluir no sentido que me parece ser mais justo.

Fui ao longo da minha vida partidária um militante activo e disciplinado. A crítica que a direcção me fez e julgo (porque não me diz) que me faz é a de eu criticar, por vezes, em público o que só deveria criticar nas reuniões do partido. Ou seja, por ano teria três ou quatro oportunidades para apresentar as minhas críticas nas reuniões que tenho em Alvito com vinte ou trinta camaradas…

Por tudo isto, tenho cada vez mais dúvidas que a minha “militância” no PCP dure para sempre, porque receio que as minhas convicções e vontade de intervir na transformação da sociedade se transformem em fé e esperança num futuro melhor, “esperando sentado” que isso aconteça.

Alvito,8 de Junho de 2009

2 comentários

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    Miguel Correia 09.11.2009 00:46

    Caro Lopes Guerreiro, não são fáceis os momentos que vivemos. No Alentejo, em Portugal, no mundo. Num fim-de-semana em que muito se falou do muro (que felizmente caiu, embora não da melhor forma, há 20 anos em Berlim), muitos sentimos que há muitos outros muros por derrubar. Um deles, e que nos toca a nós, é o que no fundo tem impedido que no PCP se ultrapassem, com base nas vivências do presente, traumas do passado. Que se ultrapassem, com dinâmicas do presente, medos e desconfianças do passado. Que se olhe para o presente e para o futuro privilegiando a inclusão e não a exclusão, mesmo quando tal implique ampla discussão. O caminho mais fácil é o que a actual direcção do PCP está a tomar. Mas fácil também é o "simplesmente" atirar a toalha ao chão, percurso que já muitos trilharam. Pelo que já deste ao Partido, por aquilo que o Partido ainda pode esperar de ti, pela frontalidade que tens tido, faz sentido desistires precisamente agora? Não me parece. Equacionar e interrogarmo-nos é bom e positivo. Essencial, até. E este, concordo contigo, é por muitas razões um período em que somos obrigados a repensar. Que esse exercício, sinal de inteligência, tenha como resultado respostas que contribuam para resolver e derrubar os tais muros; muros que estão a mais e que só de forma colectiva, disso não tenhamos dúvidas, é possível deitar abaixo.
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