Ponto prévio: São conhecidas as dificuldades financeiras que as autarquias locais enfrentam. Umas causadas principalmente pela crise, outras por políticas e cortes financeiros aplicados pelo governo e, outras ainda, por responsabilidades próprias das autarquias, consoante os casos.
Feito este ponto prévio, que desenvolverei em futuro alvitre, defendo que o Movimento Associativo e Popular deve ser uma das áreas menos afectadas pelas restrições financeiras. E isto porque são as associações populares que, em larga medida, ocupam os tempos livres das pessoas, quase sempre, de forma sadia e porque conseguem fazer mais com menos dinheiro, porque dispõem de um capital (quase) imensurável que é o voluntariado a que seus dirigentes e muitos outros sócios e amigos se dedicam.
Para além disso, restringir, quando não há outra solução, os apoios concedidos ao Movimento Associativo e Popular de forma cega e igual para todos, traduz-se, quase sempre, numa enorme injustiça, que prejudica mais quem mais faz e mais merece em favor de quem pouco ou nada precisa ou merece, pelos meios de que já dispõe ou por aquilo que faz.
É por este prisma que devem ser analisados e decididos os apoios a conceder pelas autarquias (e também por outros organismos do Estado) e não outros quaisquer, que em vez de apoiar, dentro das possibilidades existentes e com justiça, o Movimento Associativo e Popular, de forma a capitalizar o voluntariado e ocupar saudavelmente as pessoas, contribuam, pelo contrário, para desincentivar o voluntariado e fomentar a ociosidade de importantes camadas das populações, com as nefastas consequências daí decorrentes.