Alvitrando
Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.
02
Nov 17

Há muitos grandes investimentos em curso no Alentejo.

Uns são resultado da iniciativa privada, outros da responsabilidade do Estado e outros, ainda, de parcerias público-privado.

Uns são completamente nacionais, outros completamente estrangeiros e outros, ainda, integram as duas componentes.

Alguns já estão a ser concretizados no terreno, outros estão em projecto, em diferentes fases, e outros ainda estão em fase de pré-projecto.

Os PIN’s – Projectos de interesse Nacional, a revisão de PDM’s e de outros planos de ordenamento têm facilitado o aparecimento e aprovação de muitos desses projectos.

Muitos outros projectos poderiam já estar no terreno não fora o atraso, de mais de um ano, registado na entrada em funcionamento pleno do QREN e do Programa Operacional do Alentejo e na consequente aprovação de financiamentos.

Entretanto, se apreciarmos bem como esses investimentos são implantados no terreno e, depois, como são ou vão ser explorados concluiremos que as consequências para a dinamização da economia local, mas, principalmente, para a criação de emprego e uma maior justiça social na região não são tão significativas como se poderia esperar.

 

Veja-se o que se passa com as centrais solares ou a plantação de olivais, só para dar dois exemplos.

As centrais solares só ocupam meia dúzia de postos de trabalho, a maior do mundo ocupa duas dezenas.

Com os olivais passa-se, mais ou menos, a mesma coisa. Ainda na última campanha os espanhóis experimentaram uma máquina de apanha de azeitona que, sozinha com dois operadores, substitui duzentos trabalhadores.

Serão novos projectos inovadores e que acrescentem valor aos produtos regionais que poderão contribuir para aqueles objectivos.

É neste contexto que alguns projectos vindos a público ganham um maior impacto.

O papel que o CEBAL – Centro de Biotecnologia do Baixo Alentejo e Alentejo Litoral poderá desempenhar na investigação que leve à transformação de resíduos de produtos regionais em novas matérias-primas, que poderão gerar novas áreas de negócio de elevado valor acrescentado, e a eventual construção, em Alvito, de uma central de biomassa para aproveitar os resíduos do bagaço da azeitona para produção de energia, que já hoje é aqui tratado, podem ser apenas dois bons exemplos.

Projectos deste tipo e outros de micro e pequenas empresas e a entrada em funcionamento e, consequente, aprovação de financiamentos de projectos poderão contribuir mais para combater o despovoamento e a desertificação do Alentejo do que alguns daqueles projectos.

Naturalmente que se a gestão dos fundos comunitários for feita como no anterior Quadro Comunitário de Apoio, que deixou arrastar o tempo para só agora informar os agricultores e outros empresários da Serra de Serpa que os seus projectos de electrificação rural não vão ser financiados, a fixação das pessoas à terra, o desenvolvimento sustentado do mundo rural, o combate ao despovoamento e à desertificação do Alentejo, embora soando bem não passarão de expressões ocas e vazias de conteúdo.

Vamos ver se é desta que o Alentejo dá o salto para o desenvolvimento, que tanto ambicionamos, ou se, mais uma vez, vamos continuar a ser apenas terreno fértil para projectos muito interessantes mas que não contribuem para aquela justa ambição do povo alentejano…

Lido na Rádio Terra Mãe, em 20.03.2008.

 

publicado por Zé LG às 00:13
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Munhoz Frade a 2 de Novembro de 2017 às 09:56
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