Alvitrando
Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.
06
Fev 09

O ano que agora começou tem como característica política principal o facto de, no nosso país, se realizarem eleições para o Parlamento Europeu, a Assembleia da República e as Autarquias Locais, para além de alguns partidos (PP, BE e PS) realizarem também as suas eleições internas.

A crise existente no nosso país, que há oito anos diverge da média europeia, agora agravada pela crise internacional, que o primeiro-ministro diz só conhecer recentemente, que põe em causa o próprio sistema capitalista e não apenas a sua componente mais extremista do neo-liberalismo, a juntar àquela acumulação de eleições, transformou 2009 num ano privilegiado para discutir tudo – ideologia, política internacional, nacional e local, políticas sectoriais, programas e projectos, lideranças e equipas, modelos de governação.

Esta situação aconselha a que seja diferenciado o debate político nos diversos actos eleitorais, não misturando ou trocando os temas que prioritariamente devem ser discutidos em cada um deles.

As eleições autárquicas, porque são as que mais gente envolvem e influenciarem mais directamente a vida das populações, são as que mais motivam as pessoas.

Não é, por isso, de estranhar que, apesar de serem as últimas a realizarem-se (se o PS não provocar eleições legislativas antecipadas), serem as que já estão na ordem do dia, com a escolha e apresentação de candidatos e preparação de programas eleitorais.

Tratando-se de uma situação compreensível (a prioridade dada às eleições autárquicas), pelas razões apontadas, ela pode trazer alguns perigos, nomeadamente o da sub estimação da importância das outras eleições.

Importa não esquecer que as eleições que mais irão influenciar as grandes decisões sobre o futuro da “Europa”, com consequências quer no nosso país quer a nível global, são as eleições para o Parlamento Europeu, e que as eleições para a Assembleia da República são decisivas para a definição da política e da constituição do governo que conduzirão o país nos próximos anos.

Quer umas quer outras terão igualmente influência a nível local, porventura de maior impacto do que as eleições locais, pelas alterações no quadro de atribuições das autarquias locais e competências dos seus órgãos e dos meios financeiros colocados à sua disposição quer pelo Orçamento de Estado quer pelos fundos comunitários.

A capacidade de discernir o que está verdadeiramente em causa em cada um dos actos eleitorais é o principal desafio que é colocado aos eleitores em geral e aos partidos políticos em particular.

Será que vão estar à altura do desafio que lhes é colocado, face à maturidade da nossa democracia, ou que vão, mais uma vez, fugir ao debate sério das verdadeiras opções e alternativas ideológicas, políticas e de governação, preferindo a confusão e, muitas vezes, a chicana política?

O estado a que chegaram o mundo, a “Europa”, o país, os municípios e as freguesias recomendam que se opte pelo debate sério e esclarecedor.

A apresentação precipitada de algumas candidaturas, que parecem ter como única justificação a pressa dos responsáveis partidários de se verem livres do processo, não augura nada de bom…

Talvez seja a vontade de atirar a responsabilidade dos processos e de, eventuais, desaires eleitorais para cima dos escolhidos que justifica alguns unanimismos onde menos seria de esperar…

A nova frente de conflitual idade entre o primeiro-ministro e o Presidente da República em relação às datas das eleições, com o primeiro a dar a entender que preferia a realização simultânea das eleições para o Parlamento Europeu com as legislativas, o que implicava a dissolução da Assembleia da República, e o segundo a dizer que preferia a realização simultânea das eleições legislativas e autárquicas, entrando em choque com a opinião anteriormente expressa pelo primeiro-ministro, parece indiciar que, ao contrário do que pediu o Presidente da República e do que garantem os partidos políticos, não será nos caminhos para a saída da crise que todos se irão concentrar prioritariamente…

Alvito, 14 de Janeiro de 2009

publicado por Zé LG às 00:44
Texto algo confuso, de difícil leitura e sobretudo digestão da mesma.
O tema é já o habitual, versa sobre uma temática que começa a pecar pela sua persistência e parece não ser mais do que uma repetição dejá vu " de outros anteriores

Desculpa LG , mas desta vez não me parece muito bem conseguido e até enfadonho.
Carlos a 6 de Fevereiro de 2009 às 09:13
Desculpe lá senhor Carlos. Que a argumentação não seja própriamente nova, é uma coisa em que até podemos concordar. Quanto à confusão do texto, discordo totalmente, na medida em que as questões que o Lopes Guerreiro coloca, são verdadeiramente pertinentes, oportunas e devem merecer da nossa parte, uma reflexão muita séria, independentemente do quadrante político onde nos situemos.
Manuel António Domingos a 6 de Fevereiro de 2009 às 09:28
Acho que isto de lançar cedo os candidatos... fez hoje o pleno. E o parágrafo final, dá que pensar!
h - V&P a 6 de Fevereiro de 2009 às 09:44
Além das questões pertinentes que o LG põe em causa, há outras muito graves que inquietam os portugueses : 1 - A qualidade da democracia, isto é, a confiança cada vez mais reduzida que os cidadãos tem nas Instituições, pois as funções tradicionais do Estado estão cada vez mais degradadas e não se vê nenhuma " luz ao fundo do túnel " : - a saúde, a segurança, a justiça, a educação, o emprego, etc ; 2 - Ao nível das legislativas, estamos de facto, reduzidos a 2 lideres que já não nos seduzem : - Sócrates ou F. Leite ! Será que em dez milhões de portugueses, não há pessoas de valor, para nos possibilitarem outras alternativas ? ; 3 - O caciquismo partidário, como forma de fidelidade, para " merecer " figurar nas listas eleitorais em que estão interessados, em que aparecem muitos oportunistas ; 4 - de um modo geral ( em complemento do ponto 1 ) o abandono do interior do País e a sua desertificação social e económica, a agonia da agricultura e a consequente dependência do estrangeiro, o fim dos Fundos Comunitários em 2013, a brutal dívida externa, a bandalheira, a negligência, a corrupção, a impunidade, a degradação da vida social, com crimes bárbaros, inimagináveis aqui há uns anos atrás, que ficam quase impunes e já são tratados quase com indiferença pelos poderes politico e judicial, principalmente aqui nos meios urbanos de maior dimensão. Quem nos acode ? Cavaco, não me parece ! Os militares ? A sociedade portuguesa a caminho do caos ? Tenhamos confiança, apesar de tudo, como sempre, ao longo da nossa História, Portugal e os portugueses vencerão ! Firminiano Taborda
Firminiano Taborda a 6 de Fevereiro de 2009 às 12:16
Já é tempo dos portugueses recusarem maiorias absolutas, porque o resultado está à vista: é dar poder absoluto a um só partido, tornando-o todo poderoso, com ousadia suficiente para por de lado todas as promessas e críticas feitas e fazer o que muito bem entender e até o contrário daquilo que os eleitores esperavam quando votaram.
Já lá vão 30 anos de sucessivos governos PS, PSD, novamente PS e logo depois PSD de novo. É tempo desses dois partidos minguarem na espectro eleitoral português e o ideal seria que ficassem em conjunto abaixo dos 50%.
Não votar também não é solução e o resultado também já foi testado recentemente nos Açores em que menos de 50% dos eleitores votaram nas eleições regionais: nesses casos, contam os votos expressos e válidos. Ninguém pense que não votando influencia o quer que seja.
Zé da Burra o Alentejano a 6 de Fevereiro de 2009 às 14:56
Talvez eu não tenha sido explicito no comentário acima efectuado. Mas penso não haver dúvidas; não envolve nenhuma crítica a LG e muito menos às suas capacidades literárias.

O que eu pretendia salientar é que "não vale a pena bater mais no céguinho", salvo seja.

Nós, os que temos 50 ou mais anos. Fomos educados segundo os valores dialécticos da escola francesa.
A qual, de que o melhor exemplo é a sua cinemografia, mas não só, temos o de Sartre. Fomos e somos instigados a debater os assuntos e temas da nossa sociedade até à exaustão. E de tal forma, que por vezes ficamos cansados e nem sequer conseguimos chegar a qualquer tipo de conclusão ou resolução dos mesmos. Ficamos por uma espécie de debate contínuo...

Já os jovens, influenciados pelas escolas anglo-saxónica e até russa. São extremamente práticos e não perdem tempo com este tipo de análise política. Para eles o poder é o poder, e manda quem pode. E só o perde com e em eleições, já que o seu assalto pelos militares como no passado, não parece muito consentâneo com estes tempos e com o seu actual poderio bélico.

Logo o que acontece é que esta crise não é de forma alguma pasageira, como nos é dito e redito pela comunicação social e governo. Ela é estrutural e está para ficar durante uma ou mais gerações.

E quem a vai conseguir suportar melhor, são aqueles que estiverem montados no cavalo do poder ou fizerem parte do seu grupo.
Daí que as regras no futuro pouco valham e para se chegar lá não haja valores democráticos que resistam.

Vamos é assistir a espectáculos de luta pelo mesmo, ainda não vistos por nós. E cada um ainda será mais redundante do que o anterior.

Assim, este tipo de critica "sentimental" de LG rápidamente irá fazer já parte de uma visão clássica e ultrapassada do modo de fazer política. Penso eu de que...
Carlos a 6 de Fevereiro de 2009 às 15:38
A rotatividade entre os chamados "partidos do poder", nestes 35 anos pós 25 de Abril, já mostrou que não resolve as necessidades de Portugal e dos portugueses (tal como como noutros países há mais tempo). É necessário dar a oportunidade a outros de mostrarem do que são capazes. Dificilmente conseguiriam fazer pior...
Zé LG a 6 de Fevereiro de 2009 às 15:43
Só para complementar.

Parece-me um pouco a situação final dos Maias de Eça de Queirós. Entre Carlos da Maia, Ega e o eléctico.
Carlos a 6 de Fevereiro de 2009 às 15:45
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