Alvitrando
Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.
20
Nov 08

Daqui a um ano já terá ficado para trás um ciclo eleitoral incluindo três actos eleitorais – eleições para o Parlamento Europeu, eleições para a Assembleia da República e eleições para as Autarquias Locais.

É um ciclo importante que poderá permitir clarificar o que os portugueses pensam e querem da política e das instituições e o que elas interferem com a sua vida e com o futuro do nosso país.

Embora com idiossincrasias diferentes, os partidos acabam por proceder de formas muito semelhantes no essencial.

Mostrando maior ou menor descentralização e autonomia das suas estruturas, acabam por ser as direcções centrais a escolher os principais protagonistas para os diferentes actos eleitorais, com base, principalmente, na notoriedade e expectativas de alcançarem bons resultados eleitorais.

As equipas de candidatos acabam, por isso, por ser constituídas em função do peso específico dos cabeças de listas e de compromissos internos dos partidos.

Os candidatos são escolhidos pelos partidos mais em função da perspectiva dos bons resultados eleitorais que possam conseguir e muito pouco em função das ideias e programas que apresentem e das garantias que dêem para os concretizar.  

Os programas acabam, por isso, por interessar apenas a alguns (poucos) por mais reuniões que sejam feitas para os discutir e, em consequência, por terem pouco impacto eleitoral.

Quando, em vez de partidos, são movimentos de cidadãos a apresentar candidaturas, como acontece em eleições autárquicas, quase sempre esses processos são desenvolvidos tendo como referência o protagonista principal, quase sempre um autarca desavindo com o seu partido.

Raramente, embora haja alguns casos, as candidaturas independentes o são genuinamente e se desenvolvem de baixo para cima, de forma participada pela maioria dos que envolve e mobiliza.

Aqui chegados, já estou a ouvir os que leram estas linhas até aqui:

“É verdade que os processos eleitorais são, mais ou menos, desenvolvidos assim, excluindo muitos que poderiam querer participar e valorizando mais o que se “vende” com maior facilidade em detrimento do que pode oferecer mais garantias de afirmar e contribuir para a concretização de um projecto (de sociedade, de desenvolvimento, etc.). Mas o que se pode fazer para alterar a situação?”

Não sei se tenho nem sei se alguém tem a resposta certa para essa questão, mas tenho algumas ideias que poderão contribuir para o, necessário, debate sobre este assunto.

Os partidos deveriam organizar-se, apresentar-se e funcionar mais de acordo com o tipo de sociedade que dizem defender. Ou seja, se um partido proclama a defesa da democracia, da descentralização, da participação cidadã, deve, na sua vida interna, agir de acordo com esses princípios.

Naturalmente que qualquer partido tem de ter um conjunto de princípios, valores e regras que lhe garantam coesão e unidade internas, que lhe permitam apresentar-se como um todo e os seus militantes como partes desse todo e não como “um saco de gatos”.

Mas esse conjunto de princípios, valores e regras de qualquer partido deve constituir uma plataforma mínima que o diferencie dos outros, para além de lhe assegurar coesão e unidade internas. Não deve exagerar, procurando formatar o comportamento das pessoas através de regras castradoras da riqueza da diversidade humana.

Nesta perspectiva, acho que seria de todo o interesse, quer para os partidos quer para a sociedade em geral, que a escolha dos seus candidatos às eleições resultasse de eleições primárias internas, a partir da apresentação de auto-candidaturas de todos os interessados.

Os candidatos (cabeças de listas) a candidatos teriam de apresentar e defender as suas motivações e as razões das suas candidaturas, as bases das equipas e as principais ideias e propostas que propunham concretizar se fossem eleitos.

Daqui resultariam, em meu entender: um compromisso maior entre os candidatos escolhidos e as organizações partidárias, que não apenas as suas direcções centrais; candidatos, equipas e programas eleitorais melhor preparados; maiores mobilizações e participações; mais qualidade e maior credibilidade da democracia, quer interna dos partidos, quer geral da sociedade.  

Alvito, 3 de Novembro de 2008.

 

Publicado na Revista Mais Alentejo, nº 87.

 

publicado por Zé LG às 01:34
Só uma pequena achega ás pertinentes questãoes que levantas:
"A política tal como é exercida em portugal, abandonou a ideia de espírito de missão, e tornou-se num generosíssimo meio de se governar a vidinha. "
Estas citações são de Batista Bastos. Espero que tenham bom senso, e que não contraponham com a casa arrendada à Câmara Municipal de Lisboa.
Será que a suspensão desta democracia por uns tempos é assim tão descabida? Ou o tal voto em branco do José Saramago?
Manuel Antonio Domingos a 20 de Novembro de 2008 às 10:06
MAD

Até me custa acreditar na pergunta que coloca.

O apenas supor a hpotética suspensão das liberdades para implementar reformas é algo que nem ironicamente deve ser alvitrado (sem qualquer referência aos alvitres que se produzem neste blog), quanto mais seber se é ou não descabido.

É que não se trata de suspender a democracia, porque essa está suspensa há já muito tempo. Trata-se de cercear as liberdades individuais, designadamente de manifestação e de pensamento, para introduzir reformas que possam ter oposição de classes profissionais bem determinadas. Ora para terem oposição de classes profissionais determinadas, de certeza que não são feitas em seu favor.

Suponhamos, já qu estamos no Alentejo, que num momento de suspensão da democracia, como lhe chamou, o governo decide acabar com os subsídios à agricultura e quejandos. Aí, os beneficiários, não poderiam manifestar-se contra essas medidas, por muito injustas que fossem.

Mas o que mais me custa, é ser uma pessoa que viveu no Alentejo anterior ao 25 de Abril de 1974 que coloca essa mera hipótese.
Quando temos uma democracia que permite que apareçam pessoas a sufrágio, dzendo que vão fazer isto e aquilo, sabendo de antemão que não são capazes de realizar aquilo que prometem, quer seja por falta de recursos , quer seja por motivos da sua incapacidade para fazer alguma coisa, será descabido pedir uma interrupção desta democracia?
Nos tempos do amigo Vasco Gonçalves , chamava-se democracia?
Hoje não se diz já, que as medidas do General Vasco Gonçalves estavam correctas para evitar o caos económico dessa época?
Porque será que quando sefala em suspender a democracia, só se pensa no regresso ao 24 de Abril?
Não se poderá pensar noutras hipóteses, onde não haja numa tão grande diferença na distribuição da riqueza, mesmo sem subsidios à agricultura?
Manuel Antonio Domingos a 21 de Novembro de 2008 às 15:51
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