E dificilmente acontecerá o que quer que seja. Se persistir uma lógica de resort, se continuarmos a ancorar projetos em campos de golfe (golfe com temperaturas a roçar o negativo no inverno e a passar os 40º no verão?), se insistirmos nos mega-investimentos, se acharmos que o aeroporto de Beja vai alimentar esse turismo e que assim o turismo se tornará uma mola para a riqueza da região, a conclusão é simples: nada aconteceu e nada acontecerá.
Pior ainda: somos capazes de levar semanas infindáveis a discutir os termos de referência e mais uns meses largos a debater regulamentos, os quais se enchem de detalhes e subtilezas indecifráveis, a burilar artigos e a sopesar cartografias. E depois, o que acontece? Nada. Nada de nada. A frustração de quem, numa autarquia, queira, a este nível fazer coisas simples e práticas esbarra numa legislação (perfeitíssima, já se sabe...) que é um verdadeiro emaranhado filosófico.
Assim não vamos lá. E estes falhanços, por ocorrerem noutros concelhos, não me enchem de júbilo nem me fazem esboçar sorrisos de troça. Ao contrário, deixam-me preocupadíssimo.
