Alvitrando
Aqui se dão alvíssaras e trocam ideias sobre temas gerais, o Alentejo e o poder local, e vou dando notícias das minhas reflexões sobre temas da actualidade e de acontecimentos que achar que devem ser divulgados por esta via.
06
Mar 12

Exmo. Sr. Dr. Jorge Pulido Valente,
As notícias recentes que deram conta da vontade da Câmara Municipal de Beja de reduzir o seu contributo financeiro para o orçamento do Museu Regional de Beja (ou Museu Rainha Dona Leonor) – e que, na prática, o inviabilizam – entristecem quem conhece aquele espaço museológico e com ele cooperou na última década.
Numa pesquisa rápida, verifico que o espólio ali guardado já foi útil à revista que dirijo em quase um dezena de ocasiões. Em Beja, concentram-se importantes núcleos romanos e islâmicos que testemunham o papel importante da cidade ao longo dos séculos. Ali está exposto também o único núcleo visigótico do país, tema de uma reportagem em Abril de 2008. Vagueando pelas colecções, detemo-nos facilmente no resultado de trabalhos prolíferos de pioneiros como Leite Vasconcelos, Abel Viana ou Estácio da Veiga. Cada um dos 15 mil visitantes anuais do Museu tem aliás dois roteiros possíveis: o dos artefactos, que conta um pouco da história da ocupação humana em Portugal; e o dos pioneiros da arqueologia, que testemunha a evolução da prática desta disciplina no último século.

Creia-me desejoso de continuar a explorar a lista de ajustes directos do município em busca de soluções que possam poupar o Museu Regional de Beja. Custar-me-ia muito que o Museu fosse encerrado mais de um século depois da sua fundação... Sobretudo quando o actual presidente da autarquia é licenciado em História.

Com os melhores cumprimentos,
Gonçalo Pereira Director da National Geographic - Portugal

In Diário do Alentejo de 2 de Março de 2012 (pode ser lida na íntegra aqui, em comentário de Jorge Feio).

Bom dia!

Pessoalmente concordo com tudo o que foi escrito pelo Gonçalo Pereira. O Museu Regional Rainha Dona Leonor encontra-se votado ao abandono. Não posso admitir a existência de ordenados em atraso num organismo financiado pelas Câmaras Municipais do Distrito de Beja. Mais, não quero admitir! Penso que seria preferíveis os senhores Presidentes de Câmara (e também os vereadores) abdicarem dos seus próprios ordenados, pois talvez dessa forma possam aprender a gerir melhor a res publica (traduzindo à letra: a coisa pública).

Habituei-me desde tenra idade a frequentar aquele espaço e a ganhar imenso respeito e admiração pelas pessoas que lá trabalham, sobretudo pelo esforço que empregam a manter de pé aquela casa e a elevada qualidade desse mesmo trabalho. É um museu centenário, pouco burocrático (o que é raro nos dias que correm) e com "mentalidade aberta" para todos os que ali queiram investigar. Posso dar o meu exemplo: bastou-me um encontro casual no "Modelo" em Beja com o director para de imediato obter autorização para o estudo de todo o conjunto de arte visigótica depositado no museu. Apesar de integralmente estudado e publicado, entendeu o José Carlos que eu poderia acrescentar mais alguma coisa e prontamente anuiu ao meu pedido. É óbvio que irei entregar toda a documentação que habitualmente envio (carta do orientador de Doutoramento, pedido de autorização, entre outros) mesmo sabendo que não será necessário. Mas servirá para salvaguardar os trabalhadores do Museu.

A memória de algumas pessoas é curta, mas devo recordar que este foi um dos primeiros museus com experiências didácticas do País, que possui algumas das melhores colecções de Portugal (Núcleo Visigótico , Sigillatas , Pintura, Escrita do Sudoeste), ocupa espaços simbólicos da cidade e merece muito mais respeito.

A começar, merece mais respeito do Sr. Presidente da Câmara Municipal de Beja, que se esquece frequentemente que é licenciado em História e começou a sua carreira no Campo Arqueológico de Mértola. Recordo que a inscrição número 1 do Ficheiro Epigráfico (suplemento da revista Conimbriga ") é da sua autoria.

Merece também mais respeito da parte do Vereador Góis que, creio não estar enganado, foi meu colega no Liceu de Beja, especialista no jogo da lerpa (peço imensa desculpa se estou enganado, pois posso estar a confundir os Góis), mas pouco dotado, em meu entender para as questões culturais.

Recordemos tão somente que Beja, a antiga Pax Iulia , capital do Conuentus " Pacensis , cujo território abrangia cerca de um terço do espaço geográfico de Portugal e abrangia, entre outras, cidades como Setúbal, Évora, Silves, Portimão, Lagos, Loulé, Albufeira, era uma das cidades mais importantes da Península Ibérica, tendo chegado a ocupar um lugar de grande destaque no campo da cultura, fundamentalmente entre os séculos I e XII. Lembremos tão somente Apríngio de Beja, que fez um dos comentários mais citados e estudados do livro do apocalipse ou Almutamide (desculpem-me a grafia "cristã").

O meu falecido pai costumava dizer que esquece muito a quem não sabe. E os políticos que conduzem os destinos da cidade andam muito esquecidos... Demasiado esquecidos
Jorge Feio a 6 de Março de 2012 às 12:07
Já agora, que falamos de questões culturais, vi hoje uma noticia sobre a publicação de um livro por parte da nossa amiga e conterrânea Joana Mortágua, em co-autoria com Francisco Louçã. Foi seu apresentador Marcelo Rebelo de Sousa.

Creio que o título do livro é Dividocracia ", não tenho a certeza, mas penso que merece o devido destaque neste blog, até porque é a segunda vez em pouco tempo que temos a noticia da publicação de um livro por parte de uma Alvitense.

Tudo isto tem o seu significado. Não podemos esquecer que Alvito é uma das vilas do distrito de Beja cuja escolaridade dos seus naturais é das mais elevadas, sendo frequente o acesso aos mais altos estudos universitários. Pena é que tenham de sair de Alvito para poder singrar na vida.

Mais uma vez, fico extremamente feliz com o sucesso de uma jovem Alvitense, neste caso com a Joana, a quem endereço os meus mais sinceros parabéns, sendo certo que irei fazer tudo para comprar o livro.
Jorge Feio a 6 de Março de 2012 às 13:32
Mariana
Anónimo a 6 de Março de 2012 às 20:39
Um defeito comum à generalidade dos nossos políticos é serem pouco ou nada sensíveis aos problemas da nossa cultura. Preocupam-se mais com o seu protagonismo pessoal, com lutas partidárias inuteis e em alguns casos, o seu enriquecimento material é o seu único objectivo porque: não são políticos mas, "politicos" numa certa e ridícula mediania. O nosso rico Património cultural, é assim tido em pouca monta. Quando ignoramos o nosso passado e não construimos em bases sólidas o nosso presente, jámais teremos um rumo seguro para o nosso Futuro. Este País recebeu da Europa Comunitária, rios de dinheiro - que bem aplicado, nos teria colocado numa situação económica confortável, bem longe da recessão em que nos encontramos, porém, outros interesses falaram mais alto, arrastando-nos para este caos. Agora: corta-se na cultura, na saúde no ensino etc. etc.. Delapidam-nos os recursos de hoje, legando uma triste herança aos nossos vindouros. Hipotecamos a nossa soberania, para sermos governados a partir de fora, numa vigilância constante, em obediência a poderes financeiros ocultos no nevoeiro da nossa incapacidade política, numa subserviência ruinosa que se alimenta continuamente dos sacrifícios impostos aos contribuintes, já no limite da sua capacidade económica. Como já foi afirmado por alguém; "Há mais vida para além do défice".
António Martins a 6 de Março de 2012 às 18:20
Joana ou Mariana não tem mal, pois são gémeas e eu gosto igualmente de ambas
Jorge Feio a 6 de Março de 2012 às 20:55
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