Esta é uma afirmação polémica de Miguel Correia e, naturalmente, contraditória com a posição oficial do PCP. Por isso mesmo e para estimular o necessário debate, aqui deixo as suas palavras bem como uma síntese da posição do PCP.
“Não faz sentido que, após os resultados eleitorais, essa mesma explicação sirva de base a um debate alargado sobre o porquê dos resultados? Olhando para dentro, e não unicamente para fora, como se fez com Beja, com a explicação da deslocação de votos do PSD para o PS (que aconteceu, de facto; mas porque terá sido?)
E faz algum sentido afirmar que os resultados são meramente ”insatisfatórios”? Serão maus apenas quando o PCP perder mais dez câmaras?
Impõem-se uma reflexão séria, descomplexada, sem exclusões, que procure explicações para o facto de o PCP, com esta conjuntura, perder e não ganhar. Uma reflexão que numa primeira fase poderia ser interna, mas que numa segunda deveria ser aberta a todos os interessados. O que falhou? Porquê? O que pode ser feito para corrigir a rota? A comunicação está a falhar? Uma reflexão com o objectivo de resolver algo, e não meramente para camuflar. Porque por este andar, dentro de quatro ou oito anos o PCP simplesmente não terá "nada para camuflar". O que seria uma pena, pois o PCP é uma força incontornável no Poder Local, e essencial para o desenvolvimento do Alentejo.
nota: Em Beja, não foi o PS de Pulido Valente que ganhou, mas a CDU de Francisco Santos que perdeu. Perdeu pela arrogância, perdeu por falta de comunicação, perdeu pelo mandato mediano que não olhou devidamente para alguns dos graves problemas do concelho, perdeu pela má campanha eleitoral, mas perdeu essencialmente porque não percebeu, a tempo, que a tal deslocação de votos do PSD para o PS poderia acontecer. E perdeu porque já se tinha habituado a ganhar. Erro grave, esse.”